Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Um lactente com três meses de idade, previamente hígido, com quadro de sonolência, dificuldade súbita para alimentar-se e crise convulsiva, foi levado ao pronto atendimento pediátrico pela avó cuidadora. Segundo ela, o lactente não havia tido febre nem outros sintomas. No exame físico, o lactente apresentava-se letárgico, com respiração irregular e superficial. O exame neurológico indicou Glasgow 9 e hemorragia retiniana. A pele do lactente não apresentava alterações. O resultado da tomografia computadorizada de crânio mostrou hemorragia subdural de intensidades variadas.Tendo como referência o caso clínico acima, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica para esse caso.
Lactente com sonolência súbita, convulsão, hemorragia retiniana e subdural de idades variadas → Síndrome do Bebê Sacudido.
A síndrome do bebê sacudido é uma forma grave de trauma cranioencefálico não acidental em lactentes, caracterizada pela tríade clássica de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia, muitas vezes sem sinais externos de trauma. A presença de hemorragias de intensidades variadas sugere eventos repetidos, reforçando a suspeita de abuso.
A Síndrome do Bebê Sacudido (SBS) é uma manifestação grave de trauma cranioencefálico não acidental em lactentes, resultante de aceleração e desaceleração violentas da cabeça. É uma das principais causas de morbimortalidade e incapacidade neurológica em crianças pequenas, com alta prevalência em menores de um ano. O reconhecimento precoce é crucial para a proteção da criança e a intervenção legal. A fisiopatologia envolve forças de cisalhamento que rompem vasos sanguíneos e neurônios, levando a hemorragias subdurais e retinianas, além de edema cerebral difuso. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a tríade clássica de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia, frequentemente sem sinais externos de trauma. A tomografia computadorizada de crânio é essencial para identificar as hemorragias, especialmente as de intensidades variadas, que indicam traumas repetidos. O tratamento é de suporte, visando estabilizar o paciente e tratar as complicações neurológicas, como convulsões e hipertensão intracraniana. Contudo, o mais importante é a notificação compulsória às autoridades para garantir a segurança da criança e prevenir futuros abusos. O prognóstico é frequentemente reservado, com sequelas neurológicas graves e permanentes em muitos casos.
Os sinais incluem sonolência, irritabilidade, dificuldade alimentar, convulsões, e no exame físico, hemorragia retiniana e subdural, muitas vezes sem lesões externas evidentes.
Hemorragias de intensidades variadas sugerem que o trauma ocorreu em diferentes momentos, indicando episódios repetidos de agressão e reforçando a hipótese de abuso infantil.
A ausência de febre, a história inconsistente ou vaga, a presença da tríade clássica (hemorragia subdural, retiniana e encefalopatia) e a exclusão de coagulopatias ou infecções ajudam na diferenciação.
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