UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Um paciente com 2 meses de vida, nascido de parto normal, sem intercorrências, com perímetro cefálico de 34cm ao nascimento, chega à emergência, trazido pela mãe, com um episódio de cianose e apatia. O perímetro cefálico agora mede 37cm. A RM revelou coleções subdurais subagudas, além dos focos hemorrágicos recentes. À fundoscopia, havia múltiplas áreas de hemorragia em labareda nas retinas. Sobre o caso clínico relatado, é CORRETO afirmar que os achados devem estar relacionados à:
Bebê < 1 ano com hemorragia subdural + retiniana + aumento PC → Síndrome do Bebê Sacudido (abuso infantil).
A tríade clássica de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia, especialmente em lactentes sem história de trauma acidental significativo, é altamente sugestiva de Síndrome do Bebê Sacudido, uma forma grave de abuso infantil. O aumento do perímetro cefálico indica hidrocefalia ou coleções crônicas.
A Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), também conhecida como traumatismo cranioencefálico não acidental, é uma forma grave de abuso infantil que ocorre principalmente em lactentes e crianças pequenas. É caracterizada por lesões cerebrais resultantes de movimentos violentos de aceleração e desaceleração da cabeça, sem impacto direto. A importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade associadas, sendo crucial o reconhecimento precoce para intervenção e proteção da criança. A fisiopatologia envolve o cisalhamento de vasos sanguíneos e neurônios devido às forças rotacionais e de aceleração-desaceleração, resultando em hemorragias subdurais, hemorragias retinianas e edema cerebral. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia, frequentemente acompanhada de aumento do perímetro cefálico, fraturas ósseas e lesões em tecidos moles. A fundoscopia é essencial para identificar as hemorragias retinianas, que são um forte indicador de SBS. O tratamento é primariamente de suporte, visando estabilizar o paciente e tratar as lesões cerebrais, como o manejo da pressão intracraniana e convulsões. No entanto, o ponto mais crítico é a identificação e notificação do abuso às autoridades competentes para garantir a segurança da criança e prevenir futuros episódios. O prognóstico é frequentemente reservado, com sequelas neurológicas graves em muitos sobreviventes.
Os sinais clássicos incluem a tríade de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia. Outros achados podem ser fraturas ósseas, lesões de tecidos moles e aumento do perímetro cefálico.
A hemorragia retiniana, especialmente em labareda e em múltiplas camadas, é altamente sugestiva de trauma por aceleração-desaceleração violenta, sendo um marcador quase patognomônico de abuso infantil na ausência de outras causas.
A diferenciação envolve a história clínica detalhada (ausência de trauma acidental), exame físico completo (lesões em diferentes estágios de cicatrização), e exames de imagem (RM de crânio e fundoscopia) que revelam os achados característicos.
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