UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Recém-nascido é levado à emergência pelos pais após história de queda do berço há 2 dias. Pais relatam que não trouxeram o filho antes no pronto-socorro porque aparentava estar bem e que não precisaria de atendimento. Ao exame físico, criança apresentavase hipocontactuante, hematomas em diferentes locais do corpo, em diferentes estágios de evolução, assim como hemorragia retiniana no fundo de olho. Qual a principal hipótese diagnóstica?
RN hipocontactuante + hematomas em diferentes estágios + hemorragia retiniana → Alta suspeita de Síndrome do Bebê Sacudido.
A tríade de hipocontactuante (alteração neurológica), hematomas em diferentes estágios de evolução e hemorragia retiniana é altamente sugestiva de Síndrome do Bebê Sacudido, uma forma grave de abuso infantil. A história de queda do berço 'há 2 dias' e a demora em buscar atendimento são sinais de alerta para negligência e maus-tratos.
A Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), também conhecida como traumatismo cranioencefálico abusivo, é uma forma grave de abuso infantil que resulta de lesões cerebrais causadas por sacudidas violentas de um lactente ou criança pequena. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade em crianças vítimas de maus-tratos, e seu reconhecimento precoce é vital para a proteção da criança e intervenção adequada. A fisiopatologia da SBS envolve forças de aceleração e desaceleração que causam lesões cerebrais difusas, como hemorragias subdurais e subaracnóideas, edema cerebral e lesões axonais difusas. A tríade clássica inclui hemorragia retiniana, hemorragia subdural e encefalopatia. Hematomas em diferentes estágios de cicatrização em diversas partes do corpo sugerem traumas repetidos. O diagnóstico é baseado na história clínica (muitas vezes inconsistente ou ausente), exame físico detalhado e exames de imagem (TC/RM de crânio, raio-X de esqueleto). O tratamento inicial foca na estabilização do paciente, manejo das lesões cerebrais e suporte vital. O prognóstico é frequentemente reservado, com alta taxa de sequelas neurológicas graves, como paralisia cerebral, deficiência intelectual, cegueira e epilepsia. É imperativo que os profissionais de saúde notifiquem os órgãos de proteção à criança ao suspeitar de abuso, garantindo a segurança do paciente e a investigação adequada do caso, conforme a legislação vigente.
Os principais achados incluem alterações neurológicas (irritabilidade, letargia, convulsões), hematomas em diferentes estágios de evolução, fraturas (especialmente de costelas e ossos longos) e, classicamente, hemorragia retiniana bilateral, que é um forte indicador de trauma não acidental.
A hemorragia retiniana é um achado quase patognomônico da Síndrome do Bebê Sacudido, resultante das forças de aceleração-desaceleração que causam o rompimento de vasos sanguíneos na retina. É rara em traumas acidentais leves e deve sempre levantar suspeita.
A história clínica é crucial; discrepâncias entre a história relatada pelos cuidadores e as lesões observadas, atraso na busca por atendimento e explicações inconsistentes são fortes indicadores de abuso infantil e devem levantar suspeita, exigindo investigação aprofundada.
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