SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Menino de 2 meses, previamente hígido, dá entrada no pronto-socorro apresentando crise convulsiva há 20 minutos. Esse foi o primeiro episódio. Os pais negam febre ou outros sintomas. Ao exame físico, está em mau estado geral, sonolento, afebril, com frequência cardíaca de 160 bpm, frequência respiratória de 40 ipm, Glasgow = 10. Fundo de olho com presença de hemorragia retiniana. Sem outras alterações.A principal hipótese diagnóstica é:
Lactente afebril com convulsão, mau estado geral, hemorragia retiniana → suspeitar Síndrome do Bebê Sacudido.
A presença de convulsão em um lactente afebril, em mau estado generalizado e, crucialmente, com hemorragia retiniana, é altamente sugestiva de Síndrome do Bebê Sacudido (Traumatismo Cranioencefálico Não Acidental). A hemorragia retiniana é um sinal patognomônico de trauma por aceleração-desaceleração violenta.
A Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), também conhecida como Traumatismo Cranioencefálico Não Acidental (TCENA), é uma forma grave de abuso infantil que ocorre quando um lactente ou criança pequena é violentamente sacudido. Essa ação causa forças de aceleração e desaceleração que resultam em lesões cerebrais graves, devido à fragilidade dos vasos sanguíneos e à imaturidade do cérebro e pescoço do bebê. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade em crianças pequenas por trauma. Os sinais clínicos podem variar, mas frequentemente incluem convulsões, irritabilidade, letargia, vômitos, dificuldade respiratória e alteração do nível de consciência, como observado no caso. Um achado patognomônico e de extrema importância diagnóstica é a hemorragia retiniana bilateral, que ocorre devido ao cisalhamento dos vasos retinianos pelas forças de aceleração e desaceleração. A ausência de febre e a história de trauma inconsistente ou ausente devem levantar forte suspeita. O diagnóstico da SBS é clínico e radiológico, com exames de imagem cerebral (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) revelando hemorragias intracranianas (subdural, subaracnoidea) e edema cerebral. A avaliação oftalmológica com fundoscopia é essencial para detectar hemorragias retinianas. O manejo é de suporte, visando estabilizar o paciente e tratar as complicações, mas o reconhecimento e a notificação são cruciais para proteger a criança e outras crianças em risco.
Os sinais clássicos incluem hemorragia retiniana bilateral, hemorragia subdural ou subaracnoidea, e edema cerebral, frequentemente na ausência de sinais externos de trauma. Convulsões, irritabilidade e alteração do nível de consciência são comuns.
A hemorragia retiniana é um achado altamente específico e sensível para a Síndrome do Bebê Sacudido, resultante das forças de aceleração-desaceleração que causam cisalhamento dos vasos retinianos, sendo rara em outras condições.
A ausência de febre, a presença de hemorragia retiniana e a história inconsistente ou ausente de trauma são fortes indicadores. Exames de imagem cerebral (TC/RM) e avaliação oftalmológica são cruciais para o diagnóstico diferencial.
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