Síndrome de Ativação Macrofágica (SAM) na AIJ Sistêmica

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 10 anos, está em acompanhamento na reumatologia pediátrica devido a diagnóstico de Artrite Idiopática Juvenil (AIJ)- Subtipo AlJ sistêmica. Está em tratamento com anticorpo monoclonal anti-IL6 e prednisona 1 mg/kg/dia. Na última consulta, devido à estabilidade clínica e melhora dos exames laboratoriais, foi iniciado o desmame do corticoide. Após cerca de 20 dias da redução da dose do corticoide, paciente voltou a apresentar febre, rash cutâneo, dor abdominal e artrites em joelhos e cotovelos. Deu entrada na emergência pediátrica febril, taquicárdico, com rash cutâneo difuso, adenopatia cervical/inguinal/axilar, hepatoesplenomegalia, hipotensão e rebaixamento de nível de consciência, com necessidade de intubação orotraqueal e a administração dedrogas vasoativas. Os exames laboratoriais da admissão são os que se seguem: Hb: 6,2g/dL; Ht: 18% Leucócitos: 1800/mm³ (Bastonetes: 4%, Neutrófilos: 62%, Linfócitos: 23% Eosinófilos: 1%, Monócitos: 10%, Basófilos: 0%); Plaquetas: 42.000/mm³, VHS: 2mm/h; Proteína Creativa: 96 mg/dL DHL: 2456 U/L TGO 632 U/L TG; P: 828 U/L; TAP 44%; INR:2,02; PTTA: 56%; Fibrinogênio: 100 mg/dL; Triglicérides: 500 mg/dL; Ferritina: 20.000 ng/Ml. Complemento C3: 110 mg/dL (VR: 80.0 a 170.0). Complemento C4: 28 mg/dL (VR: 20.0 A50.0). Hemocultura e Urocultura: negativas. Mediante a doença de base e alterações de exame físico e exames complementares, qual principal hipótese diagnóstica para o quadro apresentado pelo paciente pelo paciente?

Alternativas

  1. A) Sepse.
  2. B) Doença de Kawasaki.
  3. C) Leucemia linfoblástica aguda (LLA).
  4. D) Associação com Lúpus Erimatoso Sistêmico juvenil (Síndrome de Overlap).

Pérola Clínica

AIJ sistêmica + febre + ↑ Ferritina + ↓ VHS/Plaquetas = Síndrome de Ativação Macrofágica.

Resumo-Chave

A SAM é uma forma de linfo-histiocitose hemofagocítica secundária a doenças reumatológicas. Caracteriza-se por uma tempestade de citocinas, ferritina extrema e queda paradoxal do VHS devido ao consumo de fibrinogênio.

Contexto Educacional

A Síndrome de Ativação Macrofágica (SAM) é a complicação mais temida da Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) subtipo sistêmico, com alta taxa de mortalidade se não reconhecida precocemente. O quadro clínico mimetiza um choque séptico, mas a base é uma desregulação imunológica profunda. O caso clínico apresenta todos os 'red flags': febre persistente após redução de corticoide, ferritina de 20.000, plaquetopenia e queda de fibrinogênio. O tratamento envolve altas doses de glicocorticoides (metilprednisolona venosa), seguidas muitas vezes por ciclosporina, tacrolimus ou bloqueadores de citocinas (como Anakinra). O reconhecimento da SAM deve ser imediato, pois a progressão para falência múltipla de órgãos e coagulação intravascular disseminada (CIVD) é rápida.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza laboratorialmente a SAM na AIJ sistêmica?

A Síndrome de Ativação Macrofágica (SAM) é marcada por níveis extremamente elevados de ferritina (frequentemente > 10.000 ng/mL), citopenias (anemia, leucopenia e trombocitopenia), elevação de transaminases (TGO/TGP), aumento de DHL e triglicérides. Um achado clássico e contra-intuitivo é a queda ou normalização do VHS em um paciente com febre alta, o que ocorre devido à hipofibrinogenemia (consumo de fibrinogênio). A presença de hemofagocitose na medula óssea corrobora o diagnóstico, mas sua ausência não o exclui.

Qual a fisiopatologia da Síndrome de Ativação Macrofágica?

A SAM decorre de uma proliferação excessiva e ativação descontrolada de macrófagos e linfócitos T citotóxicos (CD8+). Essa ativação gera uma 'tempestade de citocinas' (especialmente IL-1, IL-6, IL-18 e IFN-gama), levando a uma resposta inflamatória sistêmica avassaladora. Os macrófagos ativados passam a fagocitar células hematopoiéticas (hemofagocitose) na medula óssea e tecidos reticuloendoteliais, resultando em falência de múltiplos órgãos, instabilidade hemodinâmica e distúrbios de coagulação graves.

Como diferenciar SAM de Sepse em pacientes com AIJ?

A diferenciação é desafiadora, pois ambas apresentam febre, taquicardia e hipotensão. No entanto, a SAM na AIJ sistêmica costuma apresentar níveis de ferritina muito mais elevados do que na sepse comum. Além disso, a queda do VHS e do fibrinogênio associada à hepatoesplenomegalia exuberante e disfunção hepática grave direciona para SAM. Frequentemente, a SAM é desencadeada por infecções ou mudanças na terapia imunossupressora (como o desmame de corticoides), e o tratamento exige imunossupressão agressiva (pulsoterapia), ao contrário da sepse.

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