SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Gestante de 29 anos realizou 8 consultas de pré-natal no posto de saúde perto de sua casa sem intercorrências. Deu entrada no setor de emergência em trabalho de parto há cerca de 8 horas com idade gestacional de 40 semanas. Ao exame obstétrico, o feto encontrava-se em apresentação cefálica, com 1 cm de dilatação do colo uterino com bolsa amniótica íntegra. Realizada amniotomia, com saída de líquido amniótico meconial, sendo submetido à cesárea de urgência. Nasceu com desconforto respiratório grave, aumento do diâmetro anteroposterior do tórax, batimento de asa de nariz e gemido expiratório. A pele e as unhas estão impregnadas por pigmento amarelo esverdeado. Exame do abdome sem alteração digna de nota. Foi encaminhado para UTI neonatal e o Rx está anexo: A suspeita diagnóstica nesse caso é:
RN a termo + líquido meconial + desconforto respiratório + tórax hiperinsuflado = SAM.
A SAM ocorre pela aspiração de mecônio intraútero ou nas primeiras respirações, causando obstrução de vias aéreas e pneumonite química.
A Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM) afeta principalmente recém-nascidos a termo ou pós-termo. A passagem de mecônio para o líquido amniótico é um marcador de estresse fetal. Quando aspirado, o mecônio obstrui as pequenas vias aéreas, permitindo a entrada de ar mas dificultando a saída (mecanismo de válvula), o que explica o tórax enfisematoso. Clinicamente, o RN apresenta sinais de desconforto respiratório imediato, cianose e impregnação meconial da pele. O tratamento é de suporte, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica (se necessário), surfactante e, em casos de hipertensão pulmonar associada, óxido nítrico inalatório. A prevenção foca no manejo adequado do sofrimento fetal intraparto.
O RX de tórax tipicamente mostra infiltrados grosseiros e irregulares ('em flocos'), áreas de atelectasia entremeadas com áreas de hiperinsuflação e aumento do diâmetro anteroposterior.
O mecônio causa obstrução mecânica (efeito valvar), inativa o surfactante pulmonar e gera uma resposta inflamatória intensa (pneumonite química), prejudicando a troca gasosa.
A Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN) é uma complicação grave e frequente, devido à vasoconstrição pulmonar hipóxica e remodelamento vascular.
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