SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Gestante de 30 anos, idade gestacional 41semanas e 4 dias, entra em trabalho de parto mantendo bolsa amniótica íntegra. À chegada ao hospital, estava com 5 cm de dilatação e foi progredindo de forma adequada. No período expulsivo, a gestante iniciou quadro de fadiga e dificuldade de prosseguir com parto vaginal; no entanto, como paciente na posição +3 de DeLee, a equipe forneceu mel à paciente e incentivou a manutenção da via de parto. Em pouco tempo, houve presença de líquido tinto de mecônio e bradicardia fetal. A equipe conseguiu retirada do concepto após segunda tentativa de uso de vácuo extrator. A criança nasceu deprimida com líquido amniótico meconial. Realizadas as medidas assistenciais, a criança manteve padrão de desconforto respiratório, sendo direcionada à UTI. De acordo com sua hipótese diagnóstica e sua fisiopatologia, o que justificaria a hipertensão pulmonar que pode se manifestar como complicação?
SAM + Pós-datismo → Remodelamento vascular e Hipertensão Pulmonar Persistente.
A hipertensão pulmonar na SAM, especialmente em gestações prolongadas, decorre do remodelamento e hipertrofia da camada muscular das arteríolas pulmonares em resposta ao estresse hipóxico crônico.
A Síndrome de Aspiração Meconial (SAM) é uma causa grave de desconforto respiratório no RN a termo e pós-termo. A fisiopatologia é complexa, envolvendo obstrução de vias aéreas, inativação do surfactante e pneumonite química. No entanto, a complicação mais temida é a Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN). Em casos de sofrimento fetal crônico ou pós-datismo, a vasculatura pulmonar sofre um processo de 'arterialização' ou hipertrofia da musculatura lisa das arteríolas. Isso resulta em uma resistência vascular pulmonar elevada que não cai adequadamente após o nascimento, mantendo o shunt direita-esquerda pelo canal arterial ou forame oval. O tratamento foca na oxigenação adequada, suporte ventilatório e, em casos graves, óxido nítrico inalatório ou ECMO.
Ocorre por uma combinação de vasoconstrição hipóxica aguda, obstrução mecânica das vias aéreas pelo mecônio e, crucialmente, pelo remodelamento vascular pulmonar (hipertrofia da camada média) decorrente de hipóxia intrauterina crônica, comum em gestações pós-termo.
O mecônio causa obstrução mecânica (efeito valvar), inflamação química (pneumonite), inativação do surfactante e favorece o crescimento bacteriano, levando a um shunt intrapulmonar e hipoxemia grave.
Gestações acima de 41 semanas têm maior incidência de eliminação de mecônio e maior risco de insuficiência placentária crônica, o que predispõe o feto a alterações estruturais na vasculatura pulmonar antes mesmo do nascimento.
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