FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Paciente de 25 anos, Gesta II Para I, uma cesariana e um abortamento de segundo trimestre, com retenção de restos ovulares, requerendo curetagem uterina repetida em duas ocasiões. Depois de um ano, procura o serviço de saúde referindo amenorreia desde a última curetagem. Nega outras queixas. Exame físico normal. Teste de progesterona negativo. Teste de estrogênio mais progesterona negativo. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e qual o método diagnóstico de escolha para sua confirmação?
Amenorreia pós-curetagem + testes hormonais negativos → Síndrome de Asherman, dx por histeroscopia.
A história de curetagens uterinas repetidas, seguida de amenorreia e testes hormonais negativos (indicando útero não responsivo aos hormônios), sugere fortemente a Síndrome de Asherman, caracterizada por sinéquias intrauterinas. A histeroscopia é o método padrão-ouro para visualizar e confirmar essas aderências.
A Síndrome de Asherman é uma condição caracterizada pela formação de sinéquias (aderências) intrauterinas, que podem levar a amenorreia, hipomenorreia, infertilidade e abortos de repetição. Sua etiologia mais comum é o trauma endometrial decorrente de procedimentos como curetagens uterinas repetidas, especialmente após abortamentos ou retenção de restos placentários, como no caso descrito. A paciente apresenta amenorreia secundária após curetagens, o que é um forte indício. O diagnóstico diferencial da amenorreia secundária é amplo e inclui causas hipotalâmicas, hipofisárias, ovarianas e uterinas. No caso da Síndrome de Asherman, os testes de progesterona e estrogênio-progesterona são negativos, indicando que o endométrio não responde aos estímulos hormonais, sugerindo um problema anatômico no útero. A ausência de outras queixas e o exame físico normal reforçam a hipótese de uma causa local. A histeroscopia é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento da Síndrome de Asherman. Ela permite a visualização direta das sinéquias, a classificação de sua extensão e a lise cirúrgica das aderências, restaurando a cavidade uterina. Outros métodos como a histerossalpingografia ou ultrassonografia podem levantar a suspeita, mas a histeroscopia oferece a confirmação e a possibilidade terapêutica.
A principal causa da Síndrome de Asherman são procedimentos intrauterinos traumáticos, como curetagens uterinas repetidas, especialmente após abortamentos ou partos, que levam à formação de sinéquias.
A histeroscopia permite a visualização direta das sinéquias intrauterinas, confirmando o diagnóstico e permitindo, em muitos casos, a lise cirúrgica das aderências no mesmo procedimento.
A história de curetagens e testes de progesterona e estrogênio-progesterona negativos (indicando um endométrio não responsivo) são cruciais para suspeitar de Asherman, diferenciando-a de causas hipotalâmicas, hipofisárias ou ovarianas.
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