Amenorreia Secundária: Diagnóstico da Síndrome de Asherman

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 30 anos vem com queixa de amenorreia secundária. Na sua história obstétrica, ela apresentava gesta 3, para 2, aborto 1. O pré-natal das duas gestações ocorreram sem intercorrências, e os partos foram a termo, um em 2005 e o outro em 2007. O abortamento ocorreu há 13 meses, sendo que o resultado da patologia identificou restos placentários com fragmentos de miométrio, em meio a vários coágulos. O médico solicitou uma histerossalpingografia. Com base na história, a imagem histerossalpingográfica mais provável de ser encontrada é:

Alternativas

  1. A) I.
  2. B)  II.
  3. C) III.
  4. D) IV.

Pérola Clínica

Amenorreia secundária pós-aborto/curetagem + restos placentários = suspeitar de Síndrome de Asherman (sinéquias uterinas).

Resumo-Chave

A Síndrome de Asherman, caracterizada por sinéquias uterinas, é uma causa comum de amenorreia secundária após procedimentos intrauterinos como curetagem pós-aborto ou pós-parto, especialmente se houve retenção de restos. A histerossalpingografia é um exame chave para seu diagnóstico.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por mais de três ciclos ou seis meses em mulheres que já menstruavam, possui diversas etiologias. Entre elas, a Síndrome de Asherman é uma causa importante, especialmente em pacientes com histórico de procedimentos intrauterinos. A fisiopatologia da Síndrome de Asherman envolve o trauma do endométrio basal, geralmente após curetagem uterina (pós-aborto, pós-parto ou para biópsia), que leva à formação de aderências fibrosas (sinéquias) na cavidade uterina. A retenção de restos placentários, como descrito no caso, aumenta o risco de inflamação e formação de sinéquias. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica e confirmado por exames de imagem como a histerossalpingografia, ultrassonografia transvaginal com infusão salina (histerossonografia) ou histeroscopia. O tratamento da Síndrome de Asherman é cirúrgico, realizado por histeroscopia para lise das sinéquias, com o objetivo de restaurar a cavidade uterina e a fertilidade. Após a lise, medidas para prevenir a recorrência das aderências, como o uso de DIU, balão intrauterino ou terapia hormonal, são frequentemente empregadas. O prognóstico reprodutivo depende da extensão das sinéquias e da resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Asherman e como ela causa amenorreia?

A Síndrome de Asherman é caracterizada pela formação de aderências ou sinéquias dentro da cavidade uterina, geralmente após trauma endometrial (como curetagem). Essas aderências impedem o crescimento normal do endométrio, levando à amenorreia secundária ou hipomenorreia.

Qual o papel da histerossalpingografia no diagnóstico da Síndrome de Asherman?

A histerossalpingografia é um exame radiológico que injeta contraste no útero e tubas, permitindo visualizar a cavidade uterina. Na Síndrome de Asherman, ela pode revelar falhas de enchimento, irregularidades ou obliteração da cavidade uterina devido às sinéquias.

Quais são os fatores de risco para desenvolver Síndrome de Asherman?

Os principais fatores de risco incluem curetagem uterina (especialmente se repetida ou traumática), infecções uterinas (endometrite), cirurgias uterinas (miomectomia) e retenção de restos placentários após parto ou aborto.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo