Síndrome de Asherman: Diagnóstico e Manejo da Amenorreia

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 25 anos de idade procurou atendimento no ambulatório de ginecologia por quadro de amenorreia. Informa ter história prévia de 3 gestações, sendo que todas elas culminaram em aborto espontâneo (G3P0A3). Na ocasião da última gestação, apresentou um quadro de abortamento incompleto, sendo internada para realização do tratamento. Desde então, a paciente relata que não menstrua mais. Não tem outros antecedentes relevantes. O exame físico geral não teve alterações. Foi então indicada terapia de estímulo com uso de progestágeno isolado, mas a paciente persistiu em amenorreia na consulta de retorno. Após isto, foi feita a prescrição de terapia de estímulo combinado com estrogênio e progestágeno, mas a paciente ainda assim permaneceu em amenorreia. Foi então solicitado um exame complementar, que evidenciou o achado que pode ser visto na figura a seguir:Qual foi o exame solicitado para a paciente e qual é a alteração que ele evidenciou?

Alternativas

  1. A) Histeroscopia. Sinéquias uterinas.
  2. B) Histerossonografia. Estenose cervical.
  3. C) Histerossalpingografia. Septo uterino.
  4. D) Histerometria. Septo vaginal.

Pérola Clínica

Amenorreia pós-curetagem + falha terapia hormonal → suspeitar Síndrome de Asherman → Histeroscopia.

Resumo-Chave

A amenorreia secundária após um procedimento intrauterino, como curetagem por aborto incompleto, que não responde à terapia hormonal, é altamente sugestiva de Síndrome de Asherman. A histeroscopia é o exame padrão-ouro para diagnosticar e, muitas vezes, tratar as sinéquias uterinas.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária é a ausência de menstruação por um período de tempo equivalente a três ciclos anteriores ou seis meses, em mulheres que já menstruaram. Suas causas são diversas, incluindo disfunções hormonais, estresse, perda de peso excessiva e, em casos específicos, alterações anatômicas uterinas. A história clínica detalhada, incluindo antecedentes obstétricos e ginecológicos, é crucial para direcionar a investigação. A Síndrome de Asherman é uma condição caracterizada pela formação de sinéquias (aderências) dentro da cavidade uterina, geralmente como complicação de procedimentos intrauterinos, como curetagens pós-aborto ou pós-parto, miomectomias ou infecções. Essas aderências podem variar de finas a densas, e sua extensão determina a gravidade dos sintomas, que incluem amenorreia, hipomenorreia, infertilidade e abortos de repetição. O diagnóstico da Síndrome de Asherman é fortemente suspeitado em pacientes com amenorreia secundária e história de procedimentos uterinos, especialmente quando não há resposta à terapia hormonal. A histeroscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a visualização direta das sinéquias e sua lise. O tratamento visa restaurar a cavidade uterina normal para melhorar as chances de gravidez e regularizar o ciclo menstrual.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Asherman?

Os principais sintomas incluem amenorreia ou hipomenorreia, infertilidade secundária, abortos de repetição e dor pélvica cíclica, especialmente após procedimentos intrauterinos como curetagem.

Como a histeroscopia diagnostica a Síndrome de Asherman?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando e classificando as sinéquias (aderências) que obstruem parcial ou totalmente o útero, além de possibilitar a lise dessas aderências.

Qual a relação entre curetagem e Síndrome de Asherman?

A curetagem uterina, especialmente se realizada de forma vigorosa ou em útero infectado, é um fator de risco importante para o desenvolvimento de sinéquias uterinas e, consequentemente, da Síndrome de Asherman.

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