Síndrome de Asherman: Amenorreia Pós-Curetagem

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 27 anos, chega à maternidade de alto risco após expulsão domiciliar de feto de 15 semanas de idade gestacional, ainda preso pelo cordão umbilical à placenta que está no interior da cavidade uterina. É então encaminhada à sala de cirurgia e submetida a esvaziamento uterino com uso de pinça de Winter e cureta fenestrada. O procedimento transcorreu sem intercorrências hemorrágicas, sem acidentes e a paciente teve alta 24 hs após a realização do procedimento. Passados 6 meses desse abortamento, a paciente procura a unidade de saúde com queixa de não menstruar desde que realizou a curetagem. A paciente não apresenta nenhuma outra queixa clínica. Entre os exames laboratoriais e de imagem solicitados para investigação da causa da ausência de menstruação desta paciente, a única anormalidade observada foi a falha de enchimento da cavidade uterina na histerossalpingografia. Considerando essas informações, a provável causa da amenorreia desta paciente é:

Alternativas

  1. A) Anovulação.
  2. B) Síndrome de Sheehan.
  3. C) Síndrome de Asherman.
  4. D) Falência ovariana precoce.
  5. E) Hipotireoidismo.

Pérola Clínica

Amenorreia pós-curetagem + falha de enchimento uterino na HSG = Síndrome de Asherman.

Resumo-Chave

A Síndrome de Asherman é caracterizada pela formação de aderências intrauterinas (sinequias) após trauma endometrial, frequentemente decorrente de curetagens uterinas. A amenorreia secundária é o sintoma mais comum, e o diagnóstico é fortemente sugerido pela falha de enchimento da cavidade uterina na histerossalpingografia, confirmada por histeroscopia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Asherman, também conhecida como sinequias intrauterinas, é uma condição caracterizada pela formação de aderências ou cicatrizes dentro da cavidade uterina. É uma causa importante de amenorreia secundária, infertilidade e abortos de repetição. A compreensão dessa síndrome é vital para residentes e estudantes de ginecologia e obstetrícia, dada a sua associação com procedimentos ginecológicos comuns. A principal causa da Síndrome de Asherman é o trauma endometrial, sendo a curetagem uterina o fator etiológico mais frequente. Outros procedimentos como miomectomia, cesariana e infecções uterinas graves também podem levar à sua formação. A paciente típica apresenta amenorreia ou hipomenorreia após um evento traumático no útero, como um abortamento seguido de curetagem, como no caso descrito. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e confirmado por exames de imagem. A histerossalpingografia (HSG) pode mostrar falhas de enchimento, irregularidades ou obliteração da cavidade uterina, indicando a presença de aderências. O padrão-ouro para o diagnóstico e, muitas vezes, para o tratamento, é a histeroscopia, que permite a visualização direta e a lise das aderências. O tratamento visa restaurar a anatomia da cavidade uterina e a função menstrual e reprodutiva, sendo crucial para a qualidade de vida e fertilidade da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Asherman?

Os principais sintomas da Síndrome de Asherman incluem amenorreia (ausência de menstruação), hipomenorreia (menstruação escassa), infertilidade e dor pélvica cíclica. A amenorreia secundária, após um procedimento uterino, é o sintoma mais comum.

Qual a relação entre curetagem e Síndrome de Asherman?

A curetagem uterina, especialmente se realizada de forma agressiva ou em útero grávido ou pós-parto, é uma das principais causas da Síndrome de Asherman. O trauma ao endométrio basal pode levar à formação de aderências (sinequias) que obliteram a cavidade uterina.

Como a histerossalpingografia ajuda no diagnóstico da Síndrome de Asherman?

A histerossalpingografia (HSG) é um exame importante que pode revelar falhas de enchimento, irregularidades ou obliteração da cavidade uterina, sugestivas de aderências intrauterinas. Embora a histeroscopia seja o padrão-ouro para confirmação e classificação, a HSG é um bom método de triagem.

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