Síndrome da Artéria Mesentérica Superior: Diagnóstico e Conduta

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Homem, 19 anos, 1.85cm e 57kg, deu entrada no Pronto Socorro com quadro de dor abdominal de longa data, náuseas e vômitos alimentares (não sabe referir ao certo, mas assegura que o quadro possui mais de um ano de duração). O mesmo refere que a dor abdominal aumenta ao realizar refeições e por conta disto, perdeu 20kg no último ano. Na investigação diagnóstica foi solicitada AngioTC de abdome que citou redução do ângulo formado entre aorta e artéria mesentérica superior, com imagem de compressão da terceira porção do duodeno por este pinçamento aorto-mesentérico supracitado. Dos tratamentos cirúrgicos abaixo, em caso de insucesso da terapêutica conservadora, o mais recomendado, para o caso clínico acima é:

Alternativas

  1. A) angioplastia com stent revestido expansível por balão.
  2. B) tratamento endoscópico com prótese metálica autoexpansível.
  3. C) descompressão com bypass arterial Aortomesentérico com prótese de PTFE.
  4. D) descompressão com bypass arterial Aortomesentérico com veia invertida. E) duodenojejunostomia videolaparoscópica.

Pérola Clínica

Dor pós-prandial + Perda de peso + Vômitos + Ângulo Aortomesentérico < 25° = Síndrome de Wilkie.

Resumo-Chave

A Síndrome da Artéria Mesentérica Superior ocorre pela compressão da 3ª porção duodenal entre a aorta e a AMS, geralmente após perda ponderal acentuada que reduz o coxim gorduroso.

Contexto Educacional

A Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SAMS), também conhecida como Síndrome de Wilkie, é uma causa rara, porém importante, de obstrução duodenal alta. A fisiopatologia central é a perda do coxim gorduroso retroperitoneal que normalmente mantém o ângulo entre a aorta abdominal e a artéria mesentérica superior (AMS) aberto. Fatores de risco comuns incluem perda de peso rápida devido a cirurgias, distúrbios alimentares (anorexia nervosa), traumas graves ou estados catabólicos prolongados. Clinicamente, o paciente apresenta um quadro de obstrução intestinal alta crônica: plenitude pós-prandial precoce, dor abdominal em cólica e vômitos alimentares que frequentemente aliviam em decúbito lateral esquerdo ou posição genupeitoral (manobras que aumentam o ângulo aortomesentérico). O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como a AngioTC. Quando o tratamento clínico falha em restaurar o estado nutricional e aliviar os sintomas obstrutivos, a duodenojejunostomia videolaparoscópica surge como a intervenção cirúrgica mais eficaz e segura.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento inicial para Síndrome de Wilkie?

O tratamento inicial é obrigatoriamente conservador na maioria dos casos. O foco principal é a descompressão gástrica (se houver vômitos importantes) e, crucialmente, o suporte nutricional intensivo. O objetivo é promover o ganho de peso para restaurar o coxim gorduroso retroperitoneal que envolve a artéria mesentérica superior, aumentando assim o ângulo aortomesentérico. Isso pode ser feito via nutrição enteral por sonda nasojejunal posicionada distalmente à obstrução ou, em casos graves de intolerância, via nutrição parenteral total.

Por que a duodenojejunostomia é o procedimento de escolha?

A duodenojejunostomia, preferencialmente realizada por via videolaparoscópica, é considerada o padrão-ouro cirúrgico para a Síndrome de Wilkie quando o tratamento conservador falha. Ela apresenta taxas de sucesso superiores a 90%. O procedimento consiste em criar uma anastomose entre a segunda porção do duodeno e o jejuno, 'pulando' a área de compressão na terceira porção duodenal. Comparada à operação de Strong (lise do ligamento de Treitz), a duodenojejunostomia oferece resultados mais definitivos e menores taxas de recorrência.

Quais os achados radiológicos típicos na AngioTC?

Na AngioTC de abdome, os critérios diagnósticos clássicos incluem a redução do ângulo aortomesentérico para valores abaixo de 25 graus (o normal varia entre 38 e 56 graus) e a redução da distância aortomesentérica para menos de 8 a 10 mm (o normal é de 10 a 28 mm). Além disso, observa-se frequentemente uma dilatação importante da primeira e segunda porções duodenais, com um ponto de transição abrupto na terceira porção, onde a artéria mesentérica superior cruza o duodeno.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo