UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, de 70 anos, com hipertensão de longa data, apresentou quadro súbito de dor torácica retroesternal, de forte intensidade, tendo sido trazido à Emergência. À admissão, apresentava saturação de oxigênio de 96%. Foram realizados eletrocardiografia de repouso e raio X de tórax (imagens abaixo). O resultado da dosagem de troponina estava normal, e a dosagem de D-dímeros indicou 1.900 ng/ml (valor de referência: 500 ng/ml). Qual o provável diagnóstico e qual a investigação complementar?
Dor torácica súbita + D-dímeros ↑ + Troponina normal + Hipertensão → Suspeitar de Síndrome Aórtica Aguda.
A dor torácica retroesternal súbita e de forte intensidade em paciente hipertenso, com troponina normal e D-dímeros significativamente elevados, é altamente sugestiva de uma síndrome aórtica aguda, como a dissecção aórtica. Nesses casos, a angiotomografia é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão da lesão.
A síndrome aórtica aguda (SAA) engloba condições graves como dissecção aórtica, hematoma intramural e úlcera aórtica penetrante, caracterizadas por dor torácica súbita e intensa. É uma emergência cardiovascular com alta mortalidade se não diagnosticada e tratada rapidamente. A dissecção aórtica é a forma mais comum e letal, com incidência crescente em pacientes idosos e hipertensos. A fisiopatologia da dissecção aórtica envolve uma ruptura na íntima da aorta, permitindo que o sangue penetre na camada média e crie uma falsa luz. A dor é tipicamente lancinante e pode migrar. Fatores de risco incluem hipertensão arterial sistêmica (o mais comum), aterosclerose, síndromes genéticas (Marfan, Ehlers-Danlos) e valvopatia aórtica. A troponina normal ajuda a afastar IAM, enquanto D-dímeros elevados são um marcador sensível, mas inespecífico, de SAA. A investigação complementar crucial é a angiotomografia de tórax e abdômen com contraste, que permite visualizar a dissecção, sua extensão e classificação (Stanford A ou B), guiando a conduta terapêutica. O tratamento pode variar de manejo clínico intensivo (controle da pressão arterial e frequência cardíaca) para dissecções tipo B não complicadas a intervenção cirúrgica de emergência para dissecções tipo A ou tipo B complicadas. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção adequada.
A síndrome aórtica aguda tipicamente se manifesta com dor torácica súbita, de forte intensidade, muitas vezes descrita como "rasgando" ou "dilacerante", que pode irradiar para as costas, abdômen ou pescoço.
Troponina normal ajuda a afastar síndrome coronariana aguda, enquanto D-dímeros elevados (especialmente >500 ng/ml) são altamente sensíveis para dissecção aórtica, embora não específicos, e devem levantar forte suspeita.
A angiotomografia de tórax e abdômen com contraste é o exame de imagem de escolha, pois permite visualizar a falsa e verdadeira luz, a extensão da dissecção e o envolvimento dos ramos aórticos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo