Síndrome Antissintetase: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 30 anos, apresenta quadro de fenômeno de Raynaud, poliartrite simétrica não erosiva de pequenas articulações há cerca de 5 meses. Há 2 meses, com dispneia, evidenciando-se ao exame de imagem (tomografia computadorizada de tórax) doença intersticial pulmonar. Apresenta também miosite, presença de FAN (anticorpo antinuclear) e anti-Jo 1 positivo. O diagnóstico mais provável é 

Alternativas

  1. A) lúpus eritematoso sistêmico.
  2. B) esclerose sistêmica.
  3. C) síndrome de Sjogren. 
  4. D) síndrome antissintetase.
  5. E) síndrome de superposição. 

Pérola Clínica

Anti-Jo-1 positivo + miosite + doença intersticial pulmonar + Raynaud/artrite = Síndrome Antissintetase.

Resumo-Chave

A Síndrome Antissintetase é um subtipo de miosite inflamatória idiopática, caracterizada pela presença de autoanticorpos anti-sintetase (como anti-Jo-1), miosite, doença intersticial pulmonar, fenômeno de Raynaud e artrite.

Contexto Educacional

A Síndrome Antissintetase é uma doença autoimune rara, classificada dentro do espectro das miopatias inflamatórias idiopáticas, como a dermatomiosite e a polimiosite. Sua epidemiologia é pouco conhecida, mas afeta predominantemente mulheres. É clinicamente importante devido à alta frequência de doença intersticial pulmonar, que pode ser grave e determinar o prognóstico. A identificação precoce é crucial para iniciar o tratamento e prevenir danos irreversíveis. A fisiopatologia envolve a produção de autoanticorpos contra enzimas tRNA sintetases, como o anti-Jo-1. Esses anticorpos estão associados a um fenótipo clínico específico, que inclui miosite, doença intersticial pulmonar, artrite, fenômeno de Raynaud e 'mãos de mecânico'. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, elevação de enzimas musculares (CK), biópsia muscular e, principalmente, a detecção de autoanticorpos específicos, como o anti-Jo-1. O tratamento da Síndrome Antissintetase geralmente envolve corticosteroides em altas doses, frequentemente combinados com imunossupressores poupadores de corticoides, como azatioprina ou micofenolato de mofetila, especialmente para o controle da doença pulmonar. O prognóstico é variável e depende da gravidade da doença pulmonar e da resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Síndrome Antissintetase?

As manifestações incluem miosite (fraqueza muscular proximal), doença intersticial pulmonar (DIP), artrite não erosiva, fenômeno de Raynaud, 'mãos de mecânico' (hiperceratose e fissuras nas mãos) e febre. A presença de anti-Jo-1 é o marcador sorológico mais comum.

Qual a importância do anticorpo anti-Jo-1 no diagnóstico da Síndrome Antissintetase?

O anti-Jo-1 é o autoanticorpo mais frequentemente associado à Síndrome Antissintetase. Sua presença, juntamente com as manifestações clínicas características (miosites, DIP, artrite), é crucial para o diagnóstico e diferenciação de outras miopatias inflamatórias ou doenças do tecido conjuntivo.

Como a doença intersticial pulmonar se manifesta na Síndrome Antissintetase?

A doença intersticial pulmonar (DIP) é uma manifestação grave e comum, podendo ser a primeira a surgir. Causa dispneia, tosse seca e pode evoluir para fibrose pulmonar. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada de tórax de alta resolução, que pode mostrar padrões como pneumonia intersticial não específica (NSIP) ou pneumonia em organização (OP).

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