MedEvo Simulado — Prova 2026
Sandra, 54 anos, apresenta-se ao ambulatório com queixa de fraqueza progressiva em membros superiores e inferiores há 4 meses, relatando dificuldade para subir escadas e pentear os cabelos. Queixa-se também de febre baixa persistente, dores articulares em mãos e punhos, e episódios de palidez seguidos de cianose nas pontas dos dedos quando exposta ao frio. Ao exame físico, observa-se força grau III/V proximal em quatro membros, além de espessamento cutâneo com descamação e fissuras hiperqueratósicas dolorosas nas superfícies laterais e palmares dos dedos. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes finos em bases. Os exames laboratoriais mostram Creatinoquinase (CPK) de 5.200 U/L (VR: até 190 U/L) e fator antinuclear (FAN) reagente 1:640 com padrão pontilhado fino citoplasmático. A tomografia de tórax evidencia opacidades em vidro fosco e reticulado periférico em bases pulmonares, sugestivo de pneumonia intersticial não específica. O marcador sorológico mais estreitamente associado a esse fenótipo clínico é o anticorpo:
Miosite + Doença Intersticial Pulmonar + Mãos de Mecânico + Anti-Jo-1 = Síndrome Antisintetase.
A Síndrome Antisintetase é marcada pela tríade de miosite, doença pulmonar intersticial e artrite, frequentemente acompanhada de mãos de mecânico e Raynaud, com o Anti-Jo-1 como marcador clássico.
As miopatias inflamatórias idiopáticas formam um grupo heterogêneo de doenças autoimunes. A Síndrome Antisintetase destaca-se pelo envolvimento multissistêmico que vai além da fraqueza muscular. O quadro clínico de 'mãos de mecânico' é altamente sugestivo e deve alertar o clínico para a investigação de doença pulmonar intersticial oculta, mesmo na ausência de sintomas respiratórios exuberantes iniciais. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, elevação de enzimas musculares (CPK, aldolase) e sorologia específica. O tratamento geralmente envolve corticoterapia sistêmica em doses altas, frequentemente associada a imunossupressores como azatioprina, micofenolato de mofetila ou rituximabe, visando controlar tanto a inflamação muscular quanto a progressão da fibrose pulmonar.
A síndrome é caracterizada por miosite inflamatória (fraqueza proximal e CPK alta), doença pulmonar intersticial (frequentemente PINE), artrite não erosiva, fenômeno de Raynaud, febre e as 'mãos de mecânico' (hiperceratose e fissuras nas polpas laterais e palmares dos dedos).
É o anticorpo antissintetase mais comum (anti-histidil-tRNA sintetase). Sua presença está fortemente ligada ao acometimento pulmonar intersticial, que é o principal determinante de morbimortalidade nesses pacientes, exigindo triagem rigorosa com TCAR de tórax e provas de função pulmonar.
O Anti-Mi-2 associa-se à dermatomiosite clássica com boa resposta a corticoide; o Anti-TIF1-gama sugere miosite associada a neoplasias (paraneoplásica); e o Anti-SRP está ligado à miopatia necrotizante imunomediada grave, com fraqueza de rápida progressão e pouca resposta terapêutica.
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