SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Considerando os estudos acerca da síndrome antifosfolipídio (SAF), julgue o item a seguir. É uma causa de abortamento habitual e pode apresentar anticorpo lúpus anticoagulante circulante.
SAF = causa de abortamento habitual + presença de anticorpos antifosfolipídios (ex: lúpus anticoagulante).
A Síndrome Antifosfolipídio (SAF) é uma trombofilia adquirida que se manifesta clinicamente por eventos trombóticos e/ou morbidade gestacional, como abortamento habitual. A presença de anticorpos antifosfolipídios, como o lúpus anticoagulante, é um critério laboratorial chave para seu diagnóstico.
A Síndrome Antifosfolipídio (SAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolipídios e manifestações clínicas como trombose vascular e morbidade gestacional. É a trombofilia adquirida mais comum e uma causa significativa de abortamento habitual, afetando a saúde reprodutiva de mulheres em idade fértil. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves. A fisiopatologia da SAF envolve a ligação dos anticorpos antifosfolipídios a proteínas plasmáticas, como a beta2-glicoproteína I, que por sua vez se ligam a superfícies celulares, ativando o endotélio, plaquetas e células do sistema de coagulação. Isso leva a um estado protrombótico e inflamatório, resultando em trombose e complicações gestacionais. O diagnóstico é estabelecido pelos critérios de Sydney, que combinam achados clínicos e laboratoriais, incluindo a detecção de lúpus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina e anti-beta2-glicoproteína I. O tratamento da SAF em gestantes é fundamental para melhorar o prognóstico. A terapia padrão consiste em heparina de baixo peso molecular e aspirina em baixa dose, que atuam na prevenção da trombose e na melhora do fluxo sanguíneo placentário. Para pacientes com abortamento habitual, essa intervenção pode aumentar significativamente as chances de uma gestação bem-sucedida, destacando a importância da investigação de SAF em casos de perdas gestacionais recorrentes.
Os critérios diagnósticos para SAF incluem manifestações clínicas, como trombose vascular (arterial ou venosa) e morbidade gestacional (abortamento habitual, pré-eclâmpsia grave, parto prematuro), combinadas com a presença persistente de anticorpos antifosfolipídios, como o lúpus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina ou anti-beta2-glicoproteína I.
A SAF causa abortamento habitual principalmente por meio da formação de microtrombos na vasculatura placentária, levando a infartos placentários, insuficiência placentária e falha na implantação ou desenvolvimento fetal. A inflamação e a disfunção endotelial também contribuem para a patogênese.
O tratamento para gestantes com SAF geralmente envolve a combinação de heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina em baixa dose, iniciada no início da gestação. Essa terapia visa prevenir a trombose placentária e melhorar os resultados gestacionais, reduzindo o risco de abortamento e outras complicações.
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