Síndrome Antifosfolipídio: Critérios Diagnósticos na Gestação

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pode-se afirmar que representa um critério clínico para o diagnóstico da síndrome antifosfolipídio (SAF) na gestação:

Alternativas

  1. A) um ou mais nascimentos prematuros de fetos morfologicamente normais antes de 32 semanas da gestação
  2. B) três ou mais mortes inexplicadas de feto morfologicamente normal, com 10 ou mais semanas de gestação
  3. C) um ou mais episódios clínicos de trombose venosa, arterial ou de pequenos vasos, em qualquer tecido ou órgão
  4. D) uma ou mais perdas fetais consecutivas inexplicadas antes de 8 semanas de gestação, incluídas causas maternas anatômicas ou hormonais

Pérola Clínica

SAF gestacional → critério clínico = 1+ episódio de trombose ou morbidade gestacional específica (morte fetal ≥10s, parto prematuro <34s por pré-eclâmpsia/insuficiência placentária, ou 3+ perdas <10s).

Resumo-Chave

Os critérios clínicos para SAF incluem eventos trombóticos (venosos, arteriais ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional específica. A alternativa C descreve um critério trombótico direto, que é um dos pilares para o diagnóstico da SAF.

Contexto Educacional

A Síndrome Antifosfolipídio (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada por eventos trombóticos e/ou morbidade gestacional na presença de anticorpos antifosfolipídios persistentes. É uma causa importante de abortos de repetição e complicações obstétricas, afetando cerca de 1-5% das gestações. Seu reconhecimento e manejo são cruciais para a saúde materno-fetal. O diagnóstico da SAF baseia-se nos Critérios de Sydney (2006), que combinam critérios clínicos e laboratoriais. Os critérios clínicos incluem trombose vascular (venosa, arterial ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional específica. Os critérios laboratoriais envolvem a detecção persistente de lúpus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM em títulos moderados/altos) e/ou anticorpos anti-beta-2-glicoproteína I (IgG ou IgM em títulos moderados/altos). O tratamento da SAF na gestação visa prevenir eventos trombóticos e melhorar os desfechos obstétricos, geralmente envolvendo heparina de baixo peso molecular e/ou aspirina. O prognóstico é significativamente melhorado com o diagnóstico precoce e o manejo adequado, mas a doença requer acompanhamento rigoroso devido ao risco de recorrência e complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de SAF na gestação?

Os critérios clínicos incluem um ou mais episódios de trombose vascular (venosa, arterial ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional, como uma ou mais mortes inexplicadas de feto morfologicamente normal com ≥ 10 semanas, um ou mais nascimentos prematuros de fetos morfologicamente normais antes de 34 semanas devido a pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária, ou três ou mais perdas fetais consecutivas inexplicadas antes de 10 semanas.

Qual a importância da trombose como critério diagnóstico na SAF?

A trombose é um dos pilares diagnósticos da SAF, podendo ocorrer em qualquer vaso ou órgão. É um critério clínico maior e sua presença, associada a critérios laboratoriais, é fundamental para o diagnóstico da síndrome.

Como diferenciar a SAF de outras causas de perdas gestacionais recorrentes?

A SAF é uma trombofilia adquirida que se diferencia pela presença de anticorpos antifosfolipídios persistentes (lúpus anticoagulante, anticardiolipina, anti-beta-2-glicoproteína I) e pelos critérios clínicos específicos, que excluem causas anatômicas, hormonais ou genéticas maternas ou paternas.

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