FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente 30 anos, G5P0A4, portadora de SAF (Síndrome Antifosfolipídeo), sem história de TVP (trombose venosa profunda) prévia, apresenta ΒHCG positivo. Realizou ultrassonografia transvaginal para datação da gestação, que evidenciou gestação tópica de 11 semanas, feto vivo. Diante desse quadro, deve ser prescrito para a paciente:
SAF na gestação sem TVP prévia → AAS baixa dose + heparina profilática para prevenir trombose e perdas gestacionais.
Pacientes com Síndrome Antifosfolipídeo (SAF) e gestação, mesmo sem história prévia de trombose, possuem alto risco de eventos trombóticos e perdas gestacionais. A combinação de AAS em baixa dose e heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) em dose profilática é a conduta padrão para melhorar o prognóstico materno-fetal.
A Síndrome Antifosfolipídeo (SAF) é uma doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolipídeos e eventos trombóticos (venosos ou arteriais) e/ou morbidade gestacional. Sua prevalência na população geral é baixa, mas é uma causa importante de abortamentos de repetição e complicações obstétricas. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para o sucesso da gestação. A fisiopatologia da SAF envolve a ativação endotelial, plaquetária e do sistema de coagulação pelos anticorpos antifosfolipídeos, levando a um estado protrombótico. O diagnóstico é feito com base em critérios clínicos e laboratoriais. Em gestantes com SAF, a suspeita deve surgir em casos de perdas gestacionais recorrentes, pré-eclâmpsia grave ou tromboses prévias. O tratamento em gestantes com SAF visa prevenir eventos trombóticos e melhorar o desfecho gestacional. A terapia padrão inclui AAS em baixa dose (geralmente 75-100 mg/dia) e heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose profilática. A heparina deve ser iniciada assim que a gestação é confirmada e mantida até o puerpério. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental.
A SAF aumenta o risco de trombose materna (TVP, TEPT), pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, óbito fetal e abortamentos de repetição.
O AAS atua na antiagregação plaquetária, enquanto a heparina (HBPM) inibe a coagulação, oferecendo uma proteção mais completa contra os eventos trombóticos associados à SAF.
A tromboprofilaxia deve ser iniciada assim que a gestação é confirmada, idealmente no primeiro trimestre, e mantida durante toda a gravidez e puerpério.
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