UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Gestante de 21 anos é atendida no ambulatório de pré-natal na oitava semana de gravidez. História obstétrica indica GIV-PI-AII, sendo dois abortamentos de primeiro trimestre e um natimorto na 30ª semana de gravidez com morfologia normal; nega uso de medicação nas gestações anteriores e nega antecedentes de trombose vascular; possui duas dosagens de lúpus anticoagulante positivas com dez semanas de diferença. Nessa paciente, está indicado o uso de:
SAF + história obstétrica adversa → Enoxaparina profilática (HBPM) + AAS em gestação subsequente.
A paciente apresenta critérios para Síndrome Antifosfolípide (SAF) obstétrica (lúpus anticoagulante positivo e história de abortamentos de repetição e natimorto). Nesses casos, a conduta padrão para prevenir eventos trombóticos e melhorar o prognóstico gestacional é a anticoagulação com heparina de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina, em dose profilática, associada a baixas doses de ácido acetilsalicílico (AAS).
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides e manifestações clínicas como tromboses vasculares (arteriais ou venosas) e/ou morbidade gestacional. A SAF obstétrica é definida pela presença de anticorpos antifosfolípides associada a eventos como abortamentos de repetição, natimorto, parto prematuro ou pré-eclâmpsia grave. É uma causa importante de perdas gestacionais. O diagnóstico da SAF requer a presença de pelo menos um critério clínico e um critério laboratorial. Os critérios laboratoriais incluem a detecção de lúpus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina ou anticorpos anti-beta2-glicoproteína I, confirmados em duas ocasiões com pelo menos 12 semanas de intervalo. A história obstétrica da paciente, com dois abortamentos de primeiro trimestre e um natimorto, é altamente sugestiva de SAF. O tratamento da SAF na gestação visa prevenir eventos trombóticos e melhorar o prognóstico gestacional. A conduta padrão é a combinação de heparina de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina, em dose profilática, e ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses. Os cumarínicos são contraindicados na gestação devido ao seu potencial teratogênico. A heparina não fracionada em dose plena é reservada para casos de trombose aguda.
Os critérios diagnósticos para SAF obstétrica incluem a presença de anticorpos antifosfolípides (lúpus anticoagulante, anticardiolipina ou anti-beta2-glicoproteína I) e eventos clínicos como abortamentos de repetição, natimorto ou trombose vascular.
A enoxaparina (heparina de baixo peso molecular) é a escolha preferencial devido à sua eficácia na prevenção de trombose e perdas gestacionais, menor risco de osteoporose e trombocitopenia induzida por heparina (TIH) em comparação com a heparina não fracionada, e por não atravessar a barreira placentária.
A heparina não fracionada (HNF) e a enoxaparina (HBPM) são ambas seguras na gestação por não atravessarem a placenta. No entanto, a HBPM tem maior biodisponibilidade, meia-vida mais longa, menor necessidade de monitoramento laboratorial e menor risco de complicações como osteoporose e TIH, sendo preferida para uso profilático e prolongado.
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