Síndrome Antifosfolípide: Diagnóstico e Perdas Fetais

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Na abordagem multifatorial da paciente com perdas fetais ou abortamentos recorrentes, o médico obstetra deve atentar para vários fatores. Assinale a CORRETA.

Alternativas

  1. A) A Síndrome Antifosfolípide é clinicamente definida por tromboses recorrentes, arteriais ou venosas, perdas fetais de repetição e; laboratorialmente pela presença de anticorpos antifosfolipídeos (aPL, a saber: anticardiolipina (aCL, anti-beta2 glicoproteína1 (B2GP1 e o Lúpus Anticoagulante (LAC.
  2. B) O tratamento de pacientes com síndrome antifosfolipídeo e antecedentes de abortamentos precoces ou perdas fetais tardias, e em nova gestação, pode ser realizado com aspirina em baixas doses e dicumarínicos.
  3. C) Todas as mulheres portadoras de hipotireoidismo, especialmente aquelas com pretensão de engravidar, devem ser estimuladas a obter um bom controle da sua doença antes da concepção. O tratamento de escolha deve iniciar com metimazol ou tapazol.
  4. D) A incompetência istmo-cervical caracteriza-se por abortamentos recorrentes até 12 semanas de gestação e deve ser tratada com procedimento cirúrgico eletivo (cerclagem do colo uterino ou pessário cervical.
  5. E) As infecções feto-placentárias são causas raras de perdas fetais, tendo o seu custo não justificável na propedêutica investigativa.

Pérola Clínica

SAF = tromboses + perdas fetais + aPL (aCL, B2GP1, LAC). Tto SAF gestação: AAS + Heparina.

Resumo-Chave

A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma causa importante de perdas fetais recorrentes, caracterizada por eventos trombóticos e/ou complicações gestacionais na presença de anticorpos antifosfolipídeos. Seu diagnóstico e tratamento adequado com AAS e heparina são cruciais para o sucesso da gestação.

Contexto Educacional

As perdas fetais ou abortamentos recorrentes representam um desafio diagnóstico e terapêutico na obstetrícia, afetando significativamente a saúde reprodutiva e emocional das pacientes. Uma abordagem multifatorial é essencial, investigando causas genéticas, anatômicas, endócrinas, infecciosas e trombofílicas. Dentre as causas adquiridas, a Síndrome Antifosfolípide (SAF) destaca-se como uma das mais importantes e tratáveis. A SAF é uma doença autoimune sistêmica caracterizada por tromboses (arteriais ou venosas) e/ou morbidade gestacional (perdas fetais, pré-eclâmpsia grave, parto prematuro) na presença de anticorpos antifosfolipídeos (anticardiolipina, anti-beta2 glicoproteína 1 e lúpus anticoagulante). O diagnóstico laboratorial requer a detecção desses anticorpos em duas ou mais ocasiões, com pelo menos 12 semanas de intervalo. A fisiopatologia envolve a formação de trombos na circulação útero-placentária, comprometendo a perfusão fetal. O tratamento da SAF na gestação é crucial para melhorar o prognóstico e consiste na combinação de aspirina em baixas doses (AAS) e heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular), iniciada precocemente. É fundamental diferenciar a SAF de outras causas de perdas fetais, como a incompetência istmo-cervical (que causa perdas no segundo trimestre) ou distúrbios tireoidianos (que devem ser controlados antes da concepção). O conhecimento aprofundado da SAF é indispensável para o obstetra, permitindo um manejo adequado e aumentando as chances de uma gestação bem-sucedida.

Perguntas Frequentes

Como a Síndrome Antifosfolípide (SAF) é clinicamente definida?

A SAF é clinicamente definida pela ocorrência de tromboses recorrentes (arteriais ou venosas) e/ou perdas fetais de repetição. Laboratorialmente, é confirmada pela presença persistente de anticorpos antifosfolipídeos, como anticardiolipina (aCL), anti-beta2 glicoproteína 1 (B2GP1) e Lúpus Anticoagulante (LAC).

Qual o tratamento recomendado para pacientes com SAF e perdas fetais em nova gestação?

O tratamento de escolha para pacientes com SAF e histórico de perdas fetais em nova gestação é a combinação de aspirina em baixas doses (AAS) e heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular). Dicumarínicos são contraindicados devido à teratogenicidade.

Qual a diferença entre abortamentos precoces e tardios na incompetência istmo-cervical?

A incompetência istmo-cervical tipicamente se manifesta com abortamentos recorrentes no segundo trimestre da gestação (perdas fetais tardias), geralmente entre 14 e 24 semanas, devido à dilatação indolor do colo uterino. Abortamentos precoces (até 12 semanas) são mais frequentemente associados a outras causas, como anomalias cromossômicas ou SAF.

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