Aborto Recorrente e Pré-eclâmpsia: Investigação de SAF

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Secundigesta, 32 anos, comparece à consulta ginecológica. Quer tirar o DIU para engravidar, porém está preocupada com sua história obstétrica. Na 1ª gravidez, ela teve um aborto retido na 10ª semana e, na segunda, ela desenvolveu pré-eclâmpsia com resolução da gravidez com 31 semanas por comprometimento da vitalidade fetal. Qual é a melhor conduta para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar anticorpos anticardiolipina, inibidor lúpico e β-2 glicoproteína 1.
  2. B) Prescrever aspirina e enoxaparina profiláticas logo após retirada do DIU.
  3. C) Pesquisar mutação G20210A do gene da protrombina e do Fator V Leiden.
  4. D) Prescrever progesterona vaginal a partir de um teste positivo de gravidez.

Pérola Clínica

Aborto retido + pré-eclâmpsia precoce → Investigar SAF (anticardiolipina, inibidor lúpico, β-2 glicoproteína 1).

Resumo-Chave

A história de aborto retido e pré-eclâmpsia grave com comprometimento fetal sugere uma trombofilia, sendo a Síndrome Antifosfolípide (SAF) uma das principais causas. A investigação laboratorial para SAF, incluindo anticorpos anticardiolipina, inibidor lúpico e β-2 glicoproteína 1, é a conduta inicial mais adequada.

Contexto Educacional

A história obstétrica da paciente, marcada por um aborto retido na 10ª semana e pré-eclâmpsia grave com resolução precoce da gravidez, é altamente sugestiva de uma trombofilia subjacente. Entre as trombofilias adquiridas, a Síndrome Antifosfolípide (SAF) é a causa mais comum de morbidade gestacional recorrente, incluindo abortos de repetição, perdas fetais tardias e pré-eclâmpsia grave de início precoce. A SAF é uma doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides que causam um estado de hipercoagulabilidade, resultando em tromboses vasculares e complicações obstétricas. A investigação diagnóstica para SAF é crucial e envolve a pesquisa de três tipos de anticorpos: anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM), inibidor lúpico e anticorpos anti-β2-glicoproteína I (IgG e IgM). A positividade desses anticorpos deve ser confirmada em duas ocasiões, com um intervalo de 12 semanas, para o diagnóstico definitivo. Uma vez diagnosticada, a SAF requer manejo específico na gestação para melhorar o prognóstico materno-fetal. O tratamento geralmente envolve a combinação de aspirina em baixa dose e heparina de baixo peso molecular. É fundamental que a investigação seja realizada antes de uma nova gestação para que o tratamento possa ser instituído precocemente, otimizando as chances de um desfecho gestacional favorável e minimizando os riscos para a mãe e o feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome Antifosfolípide (SAF)?

A SAF é diagnosticada pela presença de um critério clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional) e um critério laboratorial (presença persistente de anticorpos anticardiolipina, inibidor lúpico ou anti-β2-glicoproteína I em duas ocasiões, com 12 semanas de intervalo).

Por que a SAF causa abortos de repetição e pré-eclâmpsia?

Os anticorpos antifosfolípides causam trombose na microvasculatura placentária, levando à insuficiência placentária, restrição de crescimento fetal, abortos, pré-eclâmpsia grave e descolamento prematuro de placenta.

Qual o tratamento para gestantes com SAF?

O tratamento padrão para gestantes com SAF inclui aspirina em baixa dose e heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) profilática ou terapêutica, dependendo do histórico de trombose, para reduzir o risco de complicações obstétricas.

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