CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 32 anos, teve três abortos espontâneos consecutivos no primeiro trimestre. Ela apresenta exames laboratoriais normais, exceto por anticorpos anticardiolipina elevados. Qual é a melhor intervenção terapêutica para prevenir novos episódios?
Abortos de repetição + anticorpos anticardiolipina elevados → suspeita SAF → Aspirina + Heparina.
A presença de abortos espontâneos consecutivos no primeiro trimestre, associada a anticorpos anticardiolipina elevados, é altamente sugestiva de Síndrome Antifosfolípide (SAF). O tratamento com aspirina em baixa dose e heparina profilática é a intervenção mais eficaz para prevenir novas perdas gestacionais, atuando na prevenção da trombose placentária.
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada por eventos trombóticos e/ou morbidade gestacional, como abortos de repetição. É uma causa importante de perda gestacional recorrente, afetando aproximadamente 15% das mulheres com histórico de abortos espontâneos consecutivos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para o sucesso da gestação. A fisiopatologia da SAF na gestação envolve a formação de trombos na circulação uteroplacentária, levando à insuficiência placentária, restrição de crescimento fetal e perdas gestacionais. A presença de anticorpos anticardiolipina elevados, lúpus anticoagulante ou anti-beta2-glicoproteína I é fundamental para o diagnóstico. Deve-se suspeitar de SAF em mulheres com três ou mais abortos espontâneos consecutivos no primeiro trimestre ou outras complicações obstétricas. O tratamento padrão-ouro para gestantes com SAF e histórico de perdas gestacionais é a combinação de aspirina em baixa dose (geralmente 100 mg/dia) e heparina de baixo peso molecular (profilática). Essa terapia visa prevenir a trombose placentária e melhorar os resultados gestacionais. Outras intervenções, como progesterona ou cerclagem, não são eficazes para a fisiopatologia da SAF.
Os critérios incluem eventos trombóticos ou morbidade gestacional (abortos de repetição, pré-eclâmpsia grave, parto prematuro) associados à presença persistente de anticorpos antifosfolípides, como anticardiolipina, lúpus anticoagulante ou anti-beta2-glicoproteína I.
A aspirina em baixa dose atua como antiagregante plaquetário, e a heparina (de baixo peso molecular) como anticoagulante, prevenindo a formação de trombos na placenta que causam as perdas gestacionais na SAF.
Além da SAF, outras causas incluem anomalias genéticas parentais, anomalias uterinas (septos, miomas), insuficiência istmocervical, distúrbios endócrinos (diabetes, hipotireoidismo não controlado) e fatores imunológicos.
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