SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Uma paciente de 33 anos com diagnóstico de lúpus sistêmico há 5 anos apresenta Trombose Venosa Profunda (TVP), confirmada por ultrassonografia Doppler. A paciente também tem um histórico de dois abortos no segundo trimestre da gravidez. Os exames laboratoriais indicam níveis elevados de anticorpos anticardiolipina IgG, presença de anticoagulante lúpico e FAN positivo (1:320). A função renal e hepática da paciente estão normais, e não há sinais de infecção. Considerando esses achados, qual seria a melhor abordagem terapêutica a longo prazo para prevenir novos eventos trombóticos?
SAF com Trombose Venosa → Anticoagulação plena com Varfarina (INR alvo 2.0-3.0 ou 2.5-3.5).
Pacientes com SAF e eventos trombóticos prévios requerem anticoagulação vitalícia com antagonistas da vitamina K (Varfarina), sendo os DOACs contraindicados em casos de alto risco.
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada por eventos trombóticos (venosos ou arteriais) e/ou morbidade gestacional, associados à presença persistente de anticorpos antifosfolípides. Quando ocorre em associação com o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), é denominada SAF secundária. O manejo da SAF trombótica exige anticoagulação definitiva. A varfarina é o padrão-ouro. A escolha do alvo de INR (2.5-3.5 no caso apresentado) reflete a gravidade do perfil sorológico (anticardiolipina + anticoagulante lúpico) e a necessidade de uma proteção mais robusta contra a recorrência, que é frequente nesta população.
Para o primeiro evento de trombose venosa, o alvo de INR é geralmente entre 2.0 e 3.0. No entanto, em casos de recorrência sob anticoagulação ou em tromboses arteriais, muitos especialistas recomendam um alvo mais elevado, entre 2.5 e 3.5.
Estudos como o TRAPS demonstraram que pacientes com SAF (especialmente os triplo-positivos: anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta2-glicoproteína I) apresentam taxas significativamente maiores de eventos trombóticos recorrentes quando usam rivaroxabana em comparação à varfarina.
Em pacientes com SAF apenas obstétrica (histórico de perdas fetais sem trombose macrovascular), a conduta geralmente envolve AAS em baixa dose associado à Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) em dose profilática durante a gestação.
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