UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
C.G.S., sexo feminino, 31 anos, admitida no PA com exacerbação de quadro de artralgia interfalangianas proximais das mãos, punhos, joelhos e tornozelos que iniciou há cinco meses. Há um mês notou a presença de febre diária, diarréria mucosa e HAS quando foi atendida na UPA e passou a usar Enalapril. HPP: 01 abortamento espontâneo na 11ª semana de gestação, TVP há 5 anos, história de ter apresentado há 3 anos quadro de púrpura em MMII com melhora espontânea em menos de 60 dias sem tratamento médico na época. Paciente nega hepatite, alterações cardiovasculares e/ou pulmonares. HF: sem histórico relevante. Em relação ao quadro apresentado, assinale a afirmativa correta.
SAF = trombose vascular + morbidade gestacional (abortamento) + anticorpos antifosfolípides.
A paciente apresenta múltiplos critérios clínicos para Síndrome Antifosfolípide (SAF): trombose vascular (TVP há 5 anos), morbidade gestacional (abortamento espontâneo na 11ª semana) e possivelmente manifestações cutâneas (púrpura). A presença de artralgias, febre e HAS são achados que podem acompanhar a SAF ou outras doenças autoimunes. A investigação laboratorial com anticorpo anticardiolipina e anticoagulante lúpico é crucial para a confirmação diagnóstica.
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela presença de trombose vascular (arterial ou venosa) e/ou morbidade gestacional (abortamentos de repetição, partos prematuros) na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. É uma condição importante a ser reconhecida, especialmente em mulheres jovens, devido ao risco de eventos trombóticos graves e complicações obstétricas. O caso clínico apresenta uma paciente com história de TVP e abortamento espontâneo, que são critérios clínicos maiores para SAF. As artralgias, febre e HAS podem ser manifestações associadas à SAF ou a uma doença autoimune subjacente, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), com o qual a SAF frequentemente coexiste. A púrpura em MMII também pode ser uma manifestação cutânea da SAF. Para o diagnóstico, é fundamental a pesquisa de anticorpos antifosfolípides, como o anticoagulante lúpico e os anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM), em títulos moderados/altos e confirmados em duas ocasiões com pelo menos 12 semanas de intervalo. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir novos eventos trombóticos e melhorar o prognóstico, sendo um tema de grande relevância para a prática clínica e provas de residência.
Os critérios clínicos incluem trombose vascular (arterial, venosa ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional (abortamentos de repetição, parto prematuro por pré-eclâmpsia/eclâmpsia ou insuficiência placentária).
A confirmação laboratorial requer a detecção persistente de anticorpos antifosfolípides, como o anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) e/ou anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM).
A SAF pode ocorrer de forma isolada (primária) ou em associação com outras doenças autoimunes, sendo o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) a mais comum. Nesses casos, é chamada de SAF secundária.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo