Síndrome Antifosfolípide na Gestação: Manejo e Prevenção

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade, refere duas perdas gestacionais, ambas do mesmo parceiro, a primeira com 10 semanas e a segunda com 18 semanas. Nega eventos de trombose na família. Exames: cariótipo do casal normal, ultrassonografia endovaginal normal, anticardiolipina IgG e IgM positivos, anticoagulante lúpico negativo, beta? glicoproteína 1 reagente, TSH = 2,8 mUI/L (normal 045 a 4,5 UI/L). A conduta na próxima gestação é prescrever:

Alternativas

  1. A) progesterona.
  2. B) enoxaparina.
  3. C)  levotiroxina.
  4. D) varfarina.

Pérola Clínica

Perdas gestacionais recorrentes + Anticorpos antifosfolípides positivos = SAF → Próxima gestação: Enoxaparina (HBPM) + AAS.

Resumo-Chave

A paciente apresenta perdas gestacionais recorrentes e positividade para anticorpos antifosfolípides (anticardiolipina IgG/IgM e beta-2 glicoproteína 1), preenchendo critérios para Síndrome Antifosfolípide (SAF). A SAF é uma trombofilia adquirida que causa complicações gestacionais. O tratamento padrão para prevenir novas perdas na próxima gestação é a combinação de heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) e ácido acetilsalicílico (AAS).

Contexto Educacional

A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides e eventos trombóticos (arteriais ou venosos) e/ou morbidade gestacional. É uma causa importante de perdas gestacionais recorrentes, pré-eclâmpsia grave e restrição de crescimento intrauterino, sendo um tema de grande relevância na obstetrícia e reumatologia. A fisiopatologia da SAF na gestação envolve a formação de microtrombos na placenta, levando à insuficiência placentária e falha na implantação ou desenvolvimento fetal. Os anticorpos antifosfolípides (anticardiolipina, anti-beta-2 glicoproteína I e anticoagulante lúpico) são os marcadores diagnósticos. O diagnóstico requer a presença de um critério clínico e um critério laboratorial, confirmados em duas ocasiões com intervalo de 12 semanas. O tratamento na gestação é fundamental para melhorar os desfechos. A conduta padrão é a combinação de heparina de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina, e ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose. A HBPM atua como anticoagulante, enquanto o AAS tem efeito antiplaquetário. Essa terapia combinada reduz significativamente o risco de novas perdas gestacionais e outras complicações, sendo iniciada assim que a gravidez é confirmada e mantida durante toda a gestação e puerpério.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome Antifosfolípide (SAF) na gestação?

Os critérios incluem um evento clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional, como perdas recorrentes ou pré-eclâmpsia grave) e a presença persistente de anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-beta-2 glicoproteína I).

Por que a enoxaparina é a escolha no tratamento da SAF na gestação?

A enoxaparina (heparina de baixo peso molecular) é preferida por sua eficácia antitrombótica, menor risco de osteoporose e trombocitopenia induzida por heparina, e por não atravessar a barreira placentária, sendo segura para o feto.

Qual o papel do ácido acetilsalicílico (AAS) no tratamento da SAF gestacional?

O AAS em baixa dose (75-100 mg/dia) é utilizado em combinação com a heparina para potencializar o efeito antitrombótico, inibindo a agregação plaquetária e reduzindo o risco de eventos trombóticos e complicações gestacionais.

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