SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 16 anos de idade, com oito horas de evolução, compareceu à emergência por apresentar vertigem, diplopia e surdez. Além disso, demonstrou déficits motores. Ao exame físico, verificaram-se SatO2 = 96% em ar ambiente, FC = 92 bpm regular e PA =180 mmHg x 100 mmHg. Tomografia de crânio e angiotomografia não evidenciaram malformação vascular e nem sangramento. Aos 15 anos, a paciente teve trombose venosa profunda. Em relação a esse caso clínico e aos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.E importante solicitar exames de fatores de coagulação, sendo o anticorpo anticardiolipina o mais prevalente em pessoas abaixo de 50 anos de idade com essa enfermidade.
AVC em jovem + TVP prévia → Investigar SAF (Anticorpos) e Trombofilias (Proteínas C, S, Fator V).
A investigação de eventos trombóticos em jovens exige triagem para Síndrome Antifosfolípide (SAF) e trombofilias, mas anticorpos anticardiolipina não são classificados como 'fatores de coagulação'.
O manejo de pacientes jovens com eventos isquêmicos neurológicos e histórico de trombose venosa é complexo. A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma das principais causas adquiridas de trombofilia, manifestando-se frequentemente com AVC ou AIT. O diagnóstico requer um critério clínico (trombose ou complicação obstétrica) e um critério laboratorial (presença de anticorpos em duas ocasiões com intervalo de 12 semanas). É fundamental distinguir entre as deficiências proteicas (trombofilias hereditárias) e a presença de autoanticorpos (SAF), pois o manejo terapêutico e o tempo de anticoagulação podem variar significativamente.
A SAF é uma doença autoimune sistêmica caracterizada por eventos trombóticos (venosos, arteriais ou de pequenos vasos) ou morbidade gestacional, associados à presença persistente de anticorpos antifosfolípides: anticoagulante lúpico, anticorpo anticardiolipina ou anticorpo anti-beta2-glicoproteína I. É uma causa importante de AVC em pacientes jovens e deve ser investigada após um evento isquêmico inexplicado ou recorrente.
Fatores de coagulação são proteínas plasmáticas (como Fator V, VIII, Proteína C, Proteína S) que participam diretamente da cascata de coagulação. Anticorpos, como a anticardiolipina, são proteínas do sistema imune que, na SAF, interagem com proteínas ligadas a fosfolípides, induzindo um estado pró-trombótico. A questão erra ao classificar o anticorpo como um 'fator de coagulação' e ao sugerir sua prevalência isolada sem o contexto correto.
A investigação deve incluir triagem para SAF (Anticoagulante lúpico, anticardiolipina IgM/IgG e anti-beta2-glicoproteína I) e trombofilias hereditárias (Pesquisa da mutação do Fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina, e dosagem de Proteína C, Proteína S e Antitrombina III), além de avaliação cardiológica (ecocardiograma) e vascular (angiotomografia/ressonância) para excluir causas estruturais.
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