SAF Obstétrica: Complicações e Diagnóstico Diferencial

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

São complicações da Síndrome Antifosfolípide Obstétrica todas as alternativas abaixo relacionadas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Abortos recorrentes inexplicáveis.
  2. B) Incompetência Istmo-Cervical.
  3. C) Morte de um feto morfologicamente normal.
  4. D) Desenvolvimento de síndrome HELLP

Pérola Clínica

SAF obstétrica = abortos recorrentes, morte fetal, pré-eclâmpsia grave, HELLP. NÃO inclui Incompetência Istmo-Cervical.

Resumo-Chave

A Síndrome Antifosfolípide Obstétrica (SAF) é uma trombofilia que causa complicações graves na gestação, como abortos recorrentes, morte fetal, pré-eclâmpsia grave e síndrome HELLP, devido a fenômenos trombóticos placentários. A Incompetência Istmo-Cervical é uma causa de perda gestacional tardia por fragilidade do colo uterino e não está diretamente associada à SAF.

Contexto Educacional

A Síndrome Antifosfolípide (SAF) Obstétrica é uma condição autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides e manifestações clínicas trombóticas ou obstétricas. É uma das principais causas de morbidade gestacional recorrente. As complicações obstétricas incluem abortos recorrentes inexplicáveis (geralmente no primeiro trimestre), morte fetal após 10 semanas de gestação de fetos morfologicamente normais, e parto prematuro antes de 34 semanas devido a pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia ou insuficiência placentária. A fisiopatologia da SAF na gestação envolve a formação de microtrombos na circulação útero-placentária, levando a infartos placentários, vasculopatia decidual e insuficiência placentária. Isso compromete a nutrição e oxigenação fetal, resultando em restrição de crescimento intrauterino (RCIU), oligodrâmnio, descolamento prematuro de placenta e, em casos graves, síndrome HELLP. O diagnóstico requer a presença de pelo menos um critério clínico (trombose ou morbidade obstétrica) e um critério laboratorial (presença persistente de anticorpos antifosfolípides). O tratamento da SAF na gestação visa prevenir os eventos trombóticos e melhorar o prognóstico gestacional, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina em baixas doses. É crucial diferenciar as complicações da SAF de outras causas de perda gestacional. A Incompetência Istmo-Cervical (IIC), por exemplo, é uma causa de perda gestacional tardia devido à fragilidade do colo uterino, sem relação direta com os mecanismos trombóticos da SAF, e seu manejo envolve cerclagem.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios obstétricos para o diagnóstico da Síndrome Antifosfolípide?

Os critérios obstétricos incluem um ou mais óbitos de fetos morfologicamente normais após a 10ª semana de gestação, um ou mais partos prematuros antes da 34ª semana devido a pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária, ou três ou mais abortos espontâneos consecutivos e inexplicáveis antes da 10ª semana.

Por que a Síndrome Antifosfolípide causa complicações na gestação?

A SAF é uma trombofilia que leva à formação de trombos na circulação útero-placentária, resultando em insuficiência placentária, infartos placentários e outras alterações vasculares que comprometem o suprimento sanguíneo fetal, causando as complicações.

Como diferenciar a Incompetência Istmo-Cervical de outras causas de perda gestacional?

A Incompetência Istmo-Cervical é caracterizada por perdas gestacionais no segundo trimestre, geralmente indolores e sem contrações, devido à dilatação precoce do colo uterino. Diferencia-se de outras causas como SAF, que envolve trombose, ou infecções, que podem apresentar sinais inflamatórios.

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