Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022
Paciente de 27 anos em acompanhamento no pré-natal de alto risco por histórico de 4 perdas gestacionais consecutivas em torno de 10 -11 semanas de gestação. A causa MAIS provável das perdas nesse caso é:
4 perdas gestacionais consecutivas (10-11 sem) → alta suspeita de Síndrome Antifosfolípide (SAF).
Perdas gestacionais recorrentes, especialmente no segundo trimestre ou em fases mais avançadas do primeiro trimestre (após 10 semanas), são altamente sugestivas de trombofilias, sendo a Síndrome Antifosfolípide (SAF) a causa mais comum e tratável.
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune que representa uma das principais causas tratáveis de perdas gestacionais recorrentes. Sua prevalência em mulheres com abortamento habitual pode chegar a 15-20%. É crucial suspeitar de SAF em pacientes com histórico de três ou mais perdas gestacionais consecutivas antes da 10ª semana, ou uma ou mais perdas após a 10ª semana, ou parto prematuro devido a pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária. A fisiopatologia da SAF envolve a produção de anticorpos que interagem com fosfolipídios e proteínas plasmáticas, levando a um estado de hipercoagulabilidade. Isso resulta em trombose microvascular e macrovascular, especialmente na placenta, comprometendo a perfusão e o desenvolvimento fetal. O diagnóstico é estabelecido pela presença de critérios clínicos (eventos trombóticos ou morbidade gestacional) e laboratoriais (anticorpos antifosfolípides detectados em duas ocasiões com 12 semanas de intervalo). O tratamento da SAF na gestação é fundamental para melhorar o prognóstico e consiste na combinação de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e heparina de baixo peso molecular (HBPM), iniciados assim que a gravidez é confirmada. Essa terapia visa prevenir a formação de trombos e garantir a adequada perfusão placentária. O manejo adequado da SAF é essencial para a saúde materno-fetal e para a prevenção de complicações obstétricas graves.
Os critérios incluem um evento clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional, como perdas recorrentes) e a presença de anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-beta2-glicoproteína I) em duas ocasiões, com 12 semanas de intervalo.
O tratamento padrão é a combinação de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e heparina de baixo peso molecular (HBPM), iniciados precocemente na gestação, para prevenir eventos trombóticos e melhorar o prognóstico gestacional.
A SAF causa perdas gestacionais principalmente por trombose na vasculatura placentária, levando a infartos, insuficiência placentária e comprometimento do fluxo sanguíneo para o feto, resultando em aborto ou outras complicações obstétricas.
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