Síndrome Antifosfolípide: Diagnóstico em Perdas Gestacionais

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Paciente 28 anos, feminino, com relato de dois abortamentos no primeiro trimestre de gestação inicialmente investigados (sem distúrbios hormonais ou anatômicos maternos) e um parto prematuro com óbito neonatal associado à pré-eclâmpsia. É mandatório, a princípio, solicitar:

Alternativas

  1. A) pesquisa de citocinas pró-inflamatórias tipo Th1.
  2. B) cariótipo do casal e histerossalpingografia.
  3. C) pesquisa de anticorpos anti-cardiolipina, anticoagulante lúpico e anti-beta2GPI IgG ou IgM.
  4. D) pesquisa de mutação do fator V de Leiden e fator anti-nuclear (FAN).
  5. E) FAN e determinação quantitativa de proteína S.

Pérola Clínica

Abortos recorrentes + pré-eclâmpsia grave → Investigar Síndrome Antifosfolípide (SAF).

Resumo-Chave

A história de abortamentos de repetição no primeiro trimestre e um parto prematuro com pré-eclâmpsia grave e óbito neonatal é altamente sugestiva de Síndrome Antifosfolípide (SAF). A investigação inicial mandatória deve incluir a pesquisa dos anticorpos específicos da SAF.

Contexto Educacional

A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides (aPL) e manifestações clínicas trombóticas e/ou obstétricas. No contexto obstétrico, a SAF é uma causa importante de perda gestacional recorrente, abortamentos de repetição no primeiro trimestre, óbito fetal, parto prematuro e pré-eclâmpsia grave, como o caso descrito na questão. O diagnóstico da SAF requer a presença de pelo menos um critério clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional) e um critério laboratorial. Os critérios laboratoriais incluem a detecção persistente de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) e/ou anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM) em duas ou mais ocasiões, com pelo menos 12 semanas de intervalo. A pesquisa desses anticorpos é, portanto, mandatória diante de um histórico obstétrico tão adverso. O manejo de gestantes com SAF é crucial para melhorar os resultados. Geralmente, envolve a combinação de aspirina em baixa dose e heparina de baixo peso molecular, iniciada precocemente na gestação e mantida até o puerpério. O reconhecimento e tratamento adequados da SAF podem prevenir futuras perdas gestacionais e complicações maternas e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios obstétricos para o diagnóstico de Síndrome Antifosfolípide (SAF)?

Os critérios incluem um ou mais óbitos fetais inexplicados após 10 semanas de gestação, um ou mais partos prematuros antes de 34 semanas devido a pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária, ou três ou mais abortos espontâneos inexplicados antes de 10 semanas.

Quais anticorpos devem ser pesquisados para diagnosticar a SAF?

A pesquisa deve incluir anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM), anticoagulante lúpico e anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG e IgM).

Qual o tratamento para gestantes com SAF?

O tratamento geralmente envolve o uso de aspirina em baixa dose e heparina de baixo peso molecular durante a gestação para prevenir eventos trombóticos e melhorar os resultados obstétricos.

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