HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023
Paciente de 46 anos previamente hígida comparece ao pronto atendimento com dispneia súbita iniciada pela manhã, informa que não estava de repouso, nem em uso de nenhuma medicação. Relata que foi recentemente submetida a uma realização de troca de prótese mamária, há cerca de 7 dias. Refere apenas internação aos 28 anos por um dia para curetagem uterina após um abortamento de 16 semanas sem causas definidas. Após diagnóstico de TEP a paciente é liberada para casa com uso de rivaroxabana. Realizada propedêutica ambulatorial com os seguintes resultados: Anticoagulante lúpico não reagente, anticardiolipina IgM: 12UI, IgG:10UI, IgA 45UI, anti-beta-2 glicoproteína IgM: 42UI e IgG: 16UI. Sobre a possibilidade de diagnóstico de SAAF, é CORRETA afirmar que:
SAAF: 1 clínico + 1 laboratorial (persistente >12 semanas).
O diagnóstico de SAAF requer a presença de pelo menos um critério clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional) e um critério laboratorial (anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-beta-2 glicoproteína) confirmado em duas ocasiões com pelo menos 12 semanas de intervalo.
A Síndrome Antifosfolípide (SAAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela ocorrência de tromboses arteriais ou venosas e/ou morbidade gestacional, na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. É uma causa importante de trombofilia adquirida e complicações obstétricas, sendo fundamental que residentes compreendam seus critérios diagnósticos para um manejo adequado e prevenção de eventos futuros. O diagnóstico de SAAF é estabelecido pelos Critérios de Sydney, que exigem a presença de pelo menos um critério clínico e um critério laboratorial. Os critérios clínicos incluem trombose vascular (arterial, venosa ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional (abortamentos recorrentes, morte fetal inexplicada ou parto prematuro). Os critérios laboratoriais são a detecção de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) ou anticorpos anti-beta-2 glicoproteína I (IgG ou IgM). Um ponto crucial é que os critérios laboratoriais devem ser confirmados em duas ou mais ocasiões, com um intervalo mínimo de 12 semanas, para descartar positividades transitórias. No caso da paciente, o TEP recente após cirurgia é considerado provocado, e o abortamento único, embora maior de 10 semanas, não é suficiente por si só como critério de morbidade gestacional sem a repetição dos exames. Apenas a anti-beta-2 glicoproteína IgM está em título elevado, mas a confirmação da persistência é indispensável para o diagnóstico definitivo.
Os critérios clínicos incluem trombose vascular (arterial, venosa ou de pequenos vasos) e morbidade gestacional (abortamentos recorrentes, morte fetal inexplicada ou parto prematuro por pré-eclâmpsia/insuficiência placentária).
Os critérios laboratoriais são a presença de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) ou anticorpos anti-beta-2 glicoproteína I (IgG ou IgM). É crucial que esses anticorpos sejam detectados em duas ou mais ocasiões, com um intervalo mínimo de 12 semanas, para confirmar a persistência e não apenas uma positividade transitória.
Um TEP provocado, como o que ocorre após uma cirurgia recente (troca de prótese mamária), geralmente não é considerado um critério clínico para SAAF, a menos que haja outros fatores de risco trombóticos mínimos. Para SAAF, o evento trombótico deve ser inexplicado ou ocorrer em situações de baixo risco.
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