CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023
Gestante com antecedente de 3 perdas gestacionais entre 10 e 14 semanas, encontra-se atualmente com idade gestacional de 8 semanas. Além dos exames de rotina, o que mais deve ser investigado no momento nesse caso é:
3 perdas gestacionais 10-14 semanas = Investigar SAF (trombofilia adquirida).
Perdas gestacionais recorrentes, especialmente no segundo trimestre, são uma manifestação clínica chave da Síndrome Antifosfolípide (SAF). A SAF é uma trombofilia adquirida que causa tromboses placentárias, levando a abortos e complicações obstétricas. A investigação de anticorpos específicos é fundamental nesses casos.
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina e/ou anti-beta2-glicoproteína I) e manifestações clínicas como tromboses vasculares (arteriais ou venosas) e morbidade gestacional. A morbidade gestacional inclui perdas gestacionais recorrentes (≥3 abortos espontâneos antes de 10 semanas, ≥1 óbito fetal após 10 semanas ou ≥1 parto prematuro antes de 34 semanas devido a pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária). No caso de uma gestante com histórico de 3 perdas gestacionais entre 10 e 14 semanas, a investigação de SAF é mandatória. Essas perdas tardias são altamente sugestivas de uma etiologia trombofílica, onde a formação de microtrombos na placenta compromete o fluxo sanguíneo e a nutrição fetal. Outras trombofilias hereditárias também devem ser consideradas, mas a SAF é uma das mais importantes causas tratáveis de perdas gestacionais recorrentes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da SAF na gestação são cruciais para melhorar o prognóstico. O tratamento padrão envolve a combinação de heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina em baixa dose, que atuam na prevenção da trombose. O acompanhamento multidisciplinar com obstetra e reumatologista é essencial para o manejo dessas pacientes, visando uma gestação bem-sucedida.
O diagnóstico de SAF requer a presença de pelo menos um critério clínico (trombose vascular ou morbidade gestacional) e um critério laboratorial (presença persistente de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina ou anti-beta2-glicoproteína I).
A SAF causa perdas gestacionais devido à formação de trombos na circulação placentária, levando à insuficiência placentária, infartos e falha na implantação ou desenvolvimento fetal, resultando em abortos espontâneos ou óbito fetal.
O tratamento para gestantes com SAF geralmente envolve a combinação de heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina em baixa dose, iniciados precocemente na gestação, para prevenir a formação de trombos e melhorar os desfechos gestacionais.
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