Síndrome Antifosfolípides (SAF): Anticorpos Transitórios e Diagnóstico

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

Quanto às trombofilias adquiridas, especificamente quanto à síndrome de anticorpos antifosfolípides (SAF), assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) Anticorpos antifosfolípides não trombogênicos podem surgir de forma transitória e fugaz durante a gestação, após infecções ou traumas. 
  2. B) Um dos critérios laboratoriais que define a SAF é a verificação de deficiências das proteínas C e S em duas ou mais ocasiões, com intervalo mínimo de 3 semanas entre as coletas.
  3. C) Para se estabelecer o diagnóstico de SAF, deve-se verificar a presença dos polimorfismos da enzima metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR), que são altamente trombogênicos. 
  4. D) O diagnóstico de SAF pode ser estabelecido quando verificada a mutação do Fator V (Fator V de Leiden).
  5. E) O critério laboratorial que define a SAF é a presença de anticorpo anti-β₂-glicoproteína I isotipo IgG e(ou) IgM, em duas ou mais ocasiões, com intervalo mínimo de 3 semanas entre as coletas.

Pérola Clínica

SAF: Anticorpos antifosfolípides transitórios podem ocorrer em gestação, infecções, traumas, sem necessariamente indicar SAF trombogênica.

Resumo-Chave

A presença de anticorpos antifosfolípides (aPL) pode ser transitória e não trombogênica em certas condições (gestação, infecções, traumas), o que diferencia da SAF, onde a persistência e a associação clínica são cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome de Anticorpos Antifosfolípides (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada pela presença persistente de anticorpos antifosfolípides (aPL) e por eventos clínicos como tromboses arteriais ou venosas e/ou morbidade gestacional. É uma condição de grande importância clínica devido ao risco de eventos tromboembólicos recorrentes e complicações obstétricas. Os anticorpos antifosfolípides incluem o lúpus anticoagulante, os anticorpos anticardiolipina (aCL) e os anticorpos anti-β₂-glicoproteína I (anti-β₂GPI). Para o diagnóstico de SAF, é crucial que esses anticorpos sejam detectados em duas ou mais ocasiões, com um intervalo mínimo de 12 semanas, para confirmar sua persistência. É importante ressaltar que a presença de aPL pode ser transitória e não trombogênica em diversas situações, como infecções agudas (ex: sífilis, HIV), uso de certos medicamentos, traumas ou durante a gestação. Nesses casos, a detecção isolada de aPL não configura o diagnóstico de SAF. A correta interpretação dos resultados laboratoriais em conjunto com os critérios clínicos é fundamental para evitar diagnósticos errôneos e tratamentos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios laboratoriais para o diagnóstico de Síndrome de Anticorpos Antifosfolípides (SAF)?

Os principais critérios laboratoriais incluem a presença de lúpus anticoagulante, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) e/ou anticorpos anti-β₂-glicoproteína I (IgG ou IgM), detectados em duas ou mais ocasiões, com intervalo mínimo de 12 semanas.

Por que a presença transitória de anticorpos antifosfolípides não é suficiente para o diagnóstico de SAF?

Anticorpos antifosfolípides podem surgir transitoriamente em diversas condições, como infecções, uso de certos medicamentos, gestação ou traumas, sem estarem associados a eventos trombóticos. Para o diagnóstico de SAF, é necessária a persistência desses anticorpos e a presença de critérios clínicos.

Quais são os critérios clínicos para o diagnóstico de SAF?

Os critérios clínicos incluem eventos trombóticos vasculares (arteriais ou venosos) e/ou morbidade gestacional (perdas fetais recorrentes, parto prematuro por pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária).

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