CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Casal jovem, ambos com de 33 anos, vem ao consultório porque desejam ter um filho. Ela é tercigesta, nulípara. Há três anos vem tentando engravidar sem sucesso. Paciente referiu que antes ela conseguia engravidar, porém sofreu 3 abortamentos precoces, sendo o último há 4 anos. Em todas as gestações os embriões paravam de apresentar batimento cardíaco fetal antes de 9 semanas de idade gestacional. Todos os exames hormonais realizados não evidenciaram alterações. Cariótipo da paciente e do esposo: normais. Exame de imagem na época do último abortamento não evidenciou malformações uterinas. Realizou curetagem uterina no primeiro e no terceiro abortamentos. Ciclo menstrual costuma ser regular, porém há 5 meses não menstrua.Sabendo que um dos diagnósticos diferenciais para a causa do abortamento de repetição é a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípideo (SAAF), é correto afirmar:
SAAF = 1 critério clínico (trombose ou obstétrico) + 1 lab (LAC, aCL ou anti-β2GP1) repetido após 12 sem.
O diagnóstico de SAAF exige a persistência de anticorpos antifosfolípideos em títulos significativos, confirmada por dois testes positivos com intervalo mínimo de 12 semanas.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípideo (SAAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada por tromboses recorrentes e/ou complicações gestacionais associadas à presença persistente de anticorpos antifosfolípideos. Na obstetrícia, a SAAF causa vasculopatia decidual, infartos placentários e inflamação na interface materno-fetal, prejudicando a implantação e o desenvolvimento embrionário. O diagnóstico correto é vital, pois o tratamento durante a gestação melhora significativamente o prognóstico. Geralmente, utiliza-se a combinação de aspirina em baixa dose e heparina (HNF ou HBPM) em doses profiláticas ou terapêuticas, dependendo do histórico de trombose da paciente. A investigação de SAAF deve ser considerada em toda mulher com perdas gestacionais recorrentes após exclusão de causas anatômicas e genéticas.
Os critérios clínicos obstétricos incluem: a) Três ou mais abortos espontâneos consecutivos inexplicados antes da 10ª semana de gestação; b) Uma ou mais mortes inexplicadas de feto morfologicamente normal após a 10ª semana; ou c) Um ou mais partos prematuros de feto morfologicamente normal antes da 34ª semana devido a eclâmpsia, pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária grave.
Os critérios laboratoriais incluem a presença de: 1) Anticoagulante lúpico (LAC); 2) Anticorpo anticardiolipina (aCL) IgG ou IgM em títulos moderados a altos (>40 GPL/MPL ou > percentil 99); ou 3) Anticorpo anti-beta2-glicoproteína I IgG ou IgM (> percentil 99). Para o diagnóstico, pelo menos um desses deve estar presente em duas ou mais ocasiões, com intervalo de pelo menos 12 semanas.
Não. Embora a trombose vascular (arterial, venosa ou de pequenos vasos) seja um dos critérios clínicos, a SAAF pode ser diagnosticada exclusivamente por critérios obstétricos (como abortamentos de repetição ou óbito fetal) associados à positividade laboratorial persistente. Existem pacientes com 'SAAF puramente obstétrica' que nunca manifestaram eventos trombóticos macrovasculares prévios.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo