Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024
Paciente de 26 anos, portadora de lúpus eritematoso sistêmico cutaneoarticular, internada em pós-operatório imediato de correção de fratura de pelve, após acidente de trânsito. Evolui com trombose venosa profunda da veia femoral comum esquerda. O cirurgião autoriza início de heparina venosa em dose plena. Exames laboratoriais solicitados: FAN: negativo, VDRL: positivo 1:8, anticardiolipina IgM25 MPL U/ml e IgG 32 GPL U/ml (valor de referência = 10) U/ml).Frente a esse cenário clinico, marque a afirmativa verdadeira:
Suspeita de SAF com TVP → Repetir marcadores após 12 semanas, manter anticoagulação plena no período.
Em pacientes com evento trombótico e suspeita de SAF, os testes laboratoriais (anticardiolipina, anticoagulante lúpico, anti-beta2-glicoproteína I) devem ser repetidos após 12 semanas para confirmação diagnóstica. A anticoagulação plena é mantida durante esse intervalo, pois o evento trombótico já ocorreu e exige tratamento imediato.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF) é uma trombofilia adquirida, autoimune, caracterizada por eventos trombóticos (venosos ou arteriais) e/ou morbidade gestacional, associada à presença persistente de anticorpos antifosfolipídeos. É uma condição importante no contexto de doenças autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, e sua prevalência em pacientes com lúpus e trombose é significativa, exigindo atenção diagnóstica e terapêutica. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir eventos recorrentes. O diagnóstico da SAF é baseado em critérios clínicos e laboratoriais. Clinicamente, inclui trombose vascular ou morbidade gestacional. Laboratorialmente, exige a detecção de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) ou anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM) em títulos moderados a altos, em duas ou mais ocasiões, com intervalo mínimo de 12 semanas. A positividade transitória dos anticorpos pode ocorrer em diversas situações, como infecções, e não configura SAF, daí a necessidade da repetição dos exames para confirmar a persistência. O tratamento da SAF com evento trombótico é a anticoagulação plena, geralmente com antagonistas da vitamina K (varfarina) com alvo de INR entre 2,0 e 3,0 para a maioria dos casos, ou 3,0-4,0 em casos de trombose recorrente ou arterial. A anticoagulação é frequentemente mantida por tempo indeterminado. Os novos anticoagulantes orais (NOACs) não são recomendados como primeira linha para SAF, especialmente em pacientes com SAF de alto risco, devido à falta de evidências robustas de eficácia e segurança em comparação com a varfarina.
Os critérios laboratoriais para SAF incluem a presença de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) ou anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM) em títulos moderados a altos, detectados em duas ou mais ocasiões, com intervalo mínimo de 12 semanas.
A repetição dos exames após 12 semanas é crucial para diferenciar uma positividade transitória dos anticorpos (que pode ocorrer em infecções ou outras condições) de uma positividade persistente, que é um critério essencial para o diagnóstico de SAF e indica um risco trombótico contínuo.
A conduta inicial é iniciar anticoagulação plena, geralmente com heparina, e posteriormente considerar a transição para varfarina. Os testes para SAF devem ser repetidos após 12 semanas, e a anticoagulação é mantida durante esse período, independentemente da confirmação imediata da síndrome.
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