UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente A.P.B., 28 anos, portadora de Lúpus eritematoso sistêmico, diagnosticado há 3 anos, dá entrada na Unidade de Emergência com quadro de hemiparesia direita e afasia, percebido hoje pela manhã, ao acordar. Faz uso de: prednisona 5 mg/dia; hidroxicloroquina 400 mg/dia; azatioprina 100 mg/dia; pantoprazol 20 mg/dia; colecalciferol 7.000 UI/semana. A tomografia computadorizada de crânio da admissão não apresentou alterações. No entanto, foi repetido o exame após 24 horas, que confirmou a hipótese diagnóstica de Acidente vascular cerebral isquêmico. Foram solicitados autoanticorpos, dentre eles o anticoagulante lúpico, anticardiolipina e antibeta2 glicoproteina1, todos positivos.Qual o diagnóstico e o tratamento domiciliar mais indicado?
SAAF com evento trombótico → anticoagulação plena com Varfarina (INR 2.0-3.0).
Pacientes com Lúpus e eventos trombóticos, especialmente com autoanticorpos antifosfolipídeos positivos, devem ser investigados para SAAF. O tratamento de escolha para prevenção secundária de trombose na SAAF é a anticoagulação oral com varfarina, visando um INR entre 2.0 e 3.0.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada por tromboses arteriais ou venosas e/ou morbidade gestacional, na presença de anticorpos antifosfolipídeos persistentes. É uma complicação comum em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), sendo a principal causa de AVC em jovens com LES. O reconhecimento precoce é vital para prevenir eventos recorrentes. A fisiopatologia da SAAF envolve a ligação dos anticorpos antifosfolipídeos a proteínas plasmáticas e de superfície celular, levando a um estado pró-trombótico. O diagnóstico requer a presença de pelo menos um critério clínico (trombose ou morbidade gestacional) e um critério laboratorial (anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-beta2-glicoproteína I positivos em duas ocasiões com 12 semanas de intervalo). A tomografia de crânio inicial pode ser normal em AVC isquêmico agudo, necessitando de repetição ou ressonância magnética para confirmação. O tratamento da SAAF com evento trombótico prévio (prevenção secundária) é a anticoagulação oral de longo prazo com varfarina, mantendo um INR alvo entre 2.0 e 3.0. A prednisona e outros imunossupressores são para o LES em si, mas não previnem a trombose na SAAF. Os anticoagulantes orais diretos (DOACs) não são recomendados para SAAF com trombose arterial ou SAAF triplo-positiva devido a maior taxa de recorrência trombótica.
A SAAF é diagnosticada pela presença de um evento trombótico (vascular ou obstétrico) e persistência de anticorpos antifosfolipídeos (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I) em duas ocasiões, com 12 semanas de intervalo.
A varfarina é o anticoagulante de escolha para prevenção secundária de trombose na SAAF, pois estudos demonstraram sua superioridade em comparação com os anticoagulantes orais diretos (DOACs) e antiagregantes plaquetários, especialmente em eventos arteriais.
Em pacientes com LES e AVC, é crucial investigar SAAF através da dosagem de anticorpos antifosfolipídeos. Outras causas incluem vasculite lúpica, aterosclerose acelerada e embolia cardíaca, exigindo uma investigação abrangente.
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