SAF e AVE Isquêmico em Jovens: Diagnóstico e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, 25 anos, sexo feminino, admitida com quadro de hemiplegia à direita e afasia, quadro iniciado há 6 horas. Possui antecedente mórbido pessoal de quatro abortamentos prévios. O diagnóstico e a melhor conduta, respectivamente, são

Alternativas

  1. A) acidente vascular encefálico devido a síndrome do anticorpo antifosfolípide; realização de tomografia de crânio sem contraste e dosagem de anticoagulante lúpico, anticardiolipina e antibeta-2-glicoproteína I, os anticorpos devem ser repetidos em 12 semanas.
  2. B) mielite transversa devido a síndrome do anticorpo antifosfolípide; realização de pulsoterapia com corticoide.
  3. C) acidente vascular encefálico devido a síndrome do anticorpo antifosfolípide; realização de tomografia de crânio com contraste e dosagem de anticoagulante lúpico, anticardiolipina e antibeta-2-glicoproteína I somente na fase aguda do evento.
  4. D) paralisia de Todd; indicação de craniotomia descompressiva de urgência.
  5. E) mielite transversa devido a síndrome do anticorpo antifosfolípide; realização de plasmaférese de urgência.

Pérola Clínica

AVE em jovem + Abortamentos de repetição → Suspeitar SAF.

Resumo-Chave

Um Acidente Vascular Encefálico (AVE) em paciente jovem, especialmente com histórico de abortamentos de repetição, deve levantar forte suspeita de Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF), uma trombofilia adquirida que causa eventos trombóticos arteriais e venosos, e complicações obstétricas.

Contexto Educacional

A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada pela ocorrência de eventos trombóticos (arteriais ou venosos) e/ou morbidade gestacional (abortamentos de repetição, parto prematuro, pré-eclâmpsia grave) na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. É uma causa importante de Acidente Vascular Encefálico (AVE) em pacientes jovens. A fisiopatologia envolve a ligação dos anticorpos antifosfolípides a proteínas plasmáticas e fosfolipídios de membrana, levando a um estado de hipercoagulabilidade. O diagnóstico requer a presença de pelo menos um critério clínico e um critério laboratorial. Os critérios laboratoriais incluem a detecção de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina e/ou anti-beta-2-glicoproteína I, que devem ser positivos em duas ocasiões, com pelo menos 12 semanas de intervalo. A conduta em um AVE agudo inclui a realização de tomografia de crânio sem contraste para diferenciar isquemia de hemorragia. O tratamento da SAF envolve anticoagulação a longo prazo para prevenir novos eventos trombóticos. Em casos de morbidade gestacional, o manejo inclui heparina de baixo peso molecular e aspirina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF)?

Os critérios incluem um evento trombótico (arterial ou venoso) ou morbidade gestacional (abortamentos de repetição, pré-eclâmpsia grave, parto prematuro) associados à presença persistente de anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta-2-glicoproteína I) em duas ocasiões, com 12 semanas de intervalo.

Por que a tomografia de crânio sem contraste é a primeira escolha em caso de AVE agudo?

A tomografia de crânio sem contraste é o exame inicial de escolha para diferenciar rapidamente um AVE isquêmico de um AVE hemorrágico, o que é crucial para decidir a elegibilidade para terapias de reperfusão, como a trombólise.

Qual a importância de repetir a dosagem dos anticorpos antifosfolípides após 12 semanas?

A repetição da dosagem dos anticorpos antifosfolípides após 12 semanas é essencial para confirmar a persistência dos anticorpos, um critério fundamental para o diagnóstico de SAF, pois a presença transitória pode ocorrer em outras condições.

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