UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 40 a, realiza o diagnóstico de trombose venosa profunda espontânea de membro inferior direito. A alternativa incorreta é:
SAF = Evento clínico + Laboratório (+) com intervalo de 12 semanas.
O diagnóstico de SAF exige a persistência dos anticorpos. Uma única dosagem positiva de anti-beta-2 glicoproteína I não é suficiente; deve haver confirmação após 12 semanas.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada por eventos trombóticos ou complicações obstétricas na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. O diagnóstico diferencial de TVP espontânea em mulheres jovens deve sempre incluir a SAF. Os critérios de Sydney (2006) são rigorosos para evitar o sobrediagnóstico, já que anticorpos antifosfolípides podem aparecer transitoriamente durante infecções. Por isso, a exigência de duas dosagens positivas com intervalo de 12 semanas é o pilar laboratorial. Além disso, a eclâmpsia levando ao parto prematuro antes de 34 semanas é um critério obstétrico clássico que corrobora a suspeita clínica.
Os critérios clínicos incluem: 1) Trombose Vascular: um ou mais episódios clínicos de trombose arterial, venosa ou de pequenos vasos em qualquer tecido ou órgão; 2) Morbidade Gestacional: (a) uma ou mais mortes inexplicadas de fetos morfologicamente normais com ≥ 10 semanas, (b) um ou mais partos prematuros de fetos normais antes de 34 semanas devido a eclâmpsia, pré-eclâmpsia grave ou insuficiência placentária, ou (c) três ou mais abortos espontâneos consecutivos inexplicados antes de 10 semanas.
O diagnóstico requer a presença de pelo menos um dos seguintes anticorpos em duas ou mais ocasiões, com pelo menos 12 semanas de intervalo: 1) Anticoagulante Lúpico (AL) detectado conforme as diretrizes da ISTH; 2) Anticorpo Anticardiolipina (aCL) IgG ou IgM em títulos médios ou altos (> 40 GPL/MPL ou > percentil 99); 3) Anticorpo Anti-beta-2 glicoproteína I IgG ou IgM em títulos > percentil 99.
O teste de anticoagulante lúpico (AL) é interferido por anticoagulantes orais como a varfarina e os DOACs (rivaroxabana, apixabana), podendo gerar resultados falso-positivos. O ideal é realizar a testagem antes de iniciar a anticoagulação ou após a suspensão temporária (se seguro). Já os anticorpos anticardiolipina e anti-beta-2 glicoproteína I não sofrem interferência dos anticoagulantes e podem ser dosados a qualquer momento.
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