SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Uma mulher de 27 anos de idade, doente renal crônica dialítica devido à nefrite lúpica, com perdas de duas gestações prévias e AVC isquêmico há um ano, compareceu ao hospital com edema assimétrico de membro inferior esquerdo, realizou usg Doppler, confirmando diagnóstico de tvp. A paciente apresentou os seguintes valores para os sinais vitais: PA 145 x 95; FC 89 bpm; sat. 99% em ar ambiente; FR 15 irpm; e livedo reticular notado em membros inferiores. Estava consciente e orientada, e com extremidades quentes. Ainda em ambiente de observação no pronto‑socorro, a paciente relatou que possuía condições financeiras para a compra de medicamentos e desejava tratar‑se em casa.Ainda a respeito da situação hipotética apresentada, considere‑se que após o manejo inicial, o hematologista tenha suspeitado de uma condição pró‑trombótica associada à doença de base e, devido a esse acontecimento, solicitou‑se
Suspeita de SAF em LES com trombose e perdas gestacionais → investigar anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta2-glicoproteína I.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma condição autoimune caracterizada por tromboses (arteriais ou venosas) e/ou morbidade gestacional, na presença de anticorpos antifosfolípides. Em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e histórico de eventos trombóticos e perdas gestacionais, a investigação da SAF é fundamental.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida que se manifesta por eventos trombóticos arteriais ou venosos e/ou morbidade gestacional, na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. É uma condição de grande relevância clínica, especialmente em pacientes com doenças autoimunes como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), onde a coexistência é comum. A paciente do caso apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de SAF secundária ao LES: doença renal crônica por nefrite lúpica, histórico de perdas gestacionais recorrentes, AVC isquêmico prévio e trombose venosa profunda (TVP) atual. O livedo reticular é outra manifestação cutânea frequentemente associada à SAF. Diante desse cenário, a investigação laboratorial para SAF é imperativa. Os exames específicos para o diagnóstico de SAF são o anticoagulante lúpico, os anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM) e os anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG e IgM). É crucial que esses testes sejam realizados e, se positivos, repetidos após 12 semanas para confirmar a persistência dos anticorpos, conforme os critérios de classificação. O manejo da SAF envolve anticoagulação para prevenir novos eventos trombóticos.
Os critérios laboratoriais para SAF incluem a presença de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) e/ou anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM), detectados em duas ou mais ocasiões com pelo menos 12 semanas de intervalo.
As manifestações clínicas da SAF incluem trombose venosa (TVP, embolia pulmonar), trombose arterial (AVC, IAM), morbidade gestacional (perdas fetais recorrentes, pré-eclâmpsia grave), livedo reticular e trombocitopenia.
A SAF pode ocorrer de forma primária ou secundária, sendo o LES a doença autoimune mais frequentemente associada à SAF. Cerca de 30-40% dos pacientes com LES apresentam anticorpos antifosfolípides, e uma parcela desenvolve a síndrome.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo