TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Sobre os testes da síndrome de anticorpo antifosfolípide, assinale a alternativa incorreta:
SAF → IgG (anticardiolipina/anti-beta2) tem maior correlação clínica que IgM/IgA.
O diagnóstico laboratorial da SAF exige a presença de anticorpos (AL, aCL ou anti-B2GP1) em títulos moderados/altos, confirmados após 12 semanas para excluir transitoriedade.
A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia autoimune caracterizada por eventos trombóticos (venosos, arteriais ou de pequenos vasos) ou morbidade gestacional na presença de anticorpos antifosfolípides persistentes. A fisiopatologia envolve a ligação de anticorpos a proteínas plasmáticas com afinidade por fosfolípides, sendo a beta-2-glicoproteína 1 o principal alvo antigênico. Essa ligação ativa células endoteliais, monócitos e plaquetas, induzindo um estado pró-coagulante e pró-inflamatório. Na prática clínica, a interpretação dos exames laboratoriais é crucial. O anticoagulante lúpico é o marcador com maior valor preditivo para trombose, apesar de paradoxalmente prolongar os tempos de coagulação in vitro. A correta identificação dos pacientes exige rigor técnico, respeitando o intervalo de 12 semanas para confirmação e utilizando ensaios padronizados, evitando diagnósticos equivocados baseados em positividades transitórias ou títulos baixos sem relevância clínica.
Os anticorpos que compõem os critérios laboratoriais para a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) são o anticoagulante lúpico (AL), a anticardiolipina (aCL) de isotipos IgG ou IgM em títulos moderados a altos (> 40 GPL ou MPL, ou acima do percentil 99) e a anti-beta 2 glicoproteína 1 (anti-B2GP1) de isotipos IgG ou IgM em títulos acima do percentil 99. É fundamental que a positividade seja confirmada em duas ou mais ocasiões, com intervalo de pelo menos 12 semanas entre as coletas, para diferenciar a síndrome de elevações transitórias causadas por infecções ou outras condições agudas.
O teste do anticoagulante lúpico é um procedimento funcional realizado em etapas. A primeira etapa é a triagem, que demonstra o prolongamento de um tempo de coagulação dependente de fosfolípides, como o dRVVT (veneno de víbora de Russell diluído) ou o TTPA sensibilizado. A segunda etapa é o teste de mistura, onde o plasma do paciente é misturado ao plasma normal; se o tempo não corrigir, sugere a presença de um inibidor (anticorpo). A terceira etapa é a confirmação, onde o excesso de fosfolípides é adicionado para neutralizar o anticorpo e encurtar o tempo de coagulação, confirmando a natureza dependente de fosfolípides do inibidor.
Embora os critérios incluam tanto IgG quanto IgM, o isotipo IgG da anticardiolipina e da anti-beta 2 glicoproteína 1 apresenta uma correlação clínica muito mais forte com eventos trombóticos e complicações obstétricas do que o isotipo IgM. O isotipo IgA, embora mencionado em algumas diretrizes de pesquisa, não faz parte dos critérios diagnósticos internacionais atuais (Critérios de Sydney/Sapporo) devido à sua menor especificidade e padronização laboratorial variável, sendo reservado para casos de alta suspeita clínica com outros marcadores negativos.
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