Síndrome Antifosfolípide na Gestação: Manejo e Terapia

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Mulher jovem procura ambulatório de clínica médica com quadro de cefaléia parietal unilateral pulsátil com fotofobia e náuseas associadas. Nega comorbidades. História familiar revelando pai portador de HAS e dislipidemia. Relata ser ansiosa e sedentária. Nega tabagismo e etilismo. Menarca aos 12 anos com ritmo menstrual regular no momento. Está tentando engravidar novamente e está angustiada por já ter abortado espontaneamente três vezes, sempre no primeiro trimestre de gestação. Ao exame físico: RCR 2T sem sopros. PA: 110 x 80 mmHg, MVUA sem ruídos adventícios, pupilas iscocóricas e fotorreagentes. Exames complementares revelando positividade de anticardiolipina IgM e IgG. Qual medicamento deveria ser iniciado para tal paciente já que ela deseja engravidar?

Alternativas

  1. A) Warfarim
  2. B) Ácido acetilsalicílico
  3. C) Heparina não fracionada
  4. D) Prednisona

Pérola Clínica

SAF + gestação → Heparina (não fracionada ou de baixo peso) + AAS para prevenir trombose e aborto.

Resumo-Chave

A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida que aumenta o risco de trombose e complicações obstétricas, como abortos de repetição. Em gestantes com SAF, a combinação de heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) e ácido acetilsalicílico (AAS) é a terapia padrão para prevenir novos eventos.

Contexto Educacional

A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida autoimune caracterizada por tromboses arteriais ou venosas e/ou morbidade gestacional (abortos de repetição, pré-eclâmpsia grave, parto prematuro), na presença de anticorpos antifosfolípides. Sua importância na clínica médica e obstetrícia é imensa, pois o diagnóstico e tratamento adequados são cruciais para prevenir eventos graves. O diagnóstico da SAF requer a presença de pelo menos um critério clínico e um critério laboratorial. Os critérios laboratoriais incluem a detecção persistente de anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina (IgG ou IgM) ou anticorpos anti-beta2-glicoproteína I (IgG ou IgM). A história de três abortos espontâneos no primeiro trimestre, juntamente com a positividade para anticardiolipina, é altamente sugestiva de SAF. Para pacientes com SAF que desejam engravidar ou que já estão grávidas, o tratamento é fundamental para prevenir novas perdas gestacionais e eventos trombóticos. A terapia de escolha é a combinação de heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) e ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose. A heparina não fracionada é segura na gravidez por não atravessar a placenta, ao contrário da varfarina, que é contraindicada devido ao seu potencial teratogênico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF)?

A SAF é diagnosticada pela presença de critérios clínicos (eventos trombóticos ou complicações obstétricas, como abortos de repetição) e laboratoriais (anticorpos antifosfolípides persistentes, como anticardiolipina, anticoagulante lúpico ou anti-beta2-glicoproteína I).

Por que a heparina é o tratamento de escolha para SAF na gravidez?

A heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) é a anticoagulante de escolha na gravidez porque não atravessa a barreira placentária, sendo segura para o feto, ao contrário da varfarina, que é teratogênica.

Qual a conduta para uma gestante com SAF e histórico de abortos de repetição?

A conduta padrão inclui a combinação de heparina (geralmente de baixo peso molecular) em dose profilática ou terapêutica, dependendo do histórico, e ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciados precocemente na gestação.

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