Síndrome Anticolinérgica em Idosos: Fatores de Risco e Manejo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 78 anos, portadora de fibromialgia há 2 anos, com bom controle dos sintomas com o uso de amitriptilina 50 mg ao dia. Há uma semana teve queda da própria altura e traumatismo no joelho direito, quando foi prescrito tramado! 100 mg ao dia. Há cinco dias vem apresentando visão turva, rubor facial, taquicardia, boca seca e estado confusional. Qual é a alteração fisiológica do envelhecimento que melhor explica estes sintomas?

Alternativas

  1. A) Diminuição do número de receptores dopaminérgicos.
  2. B) Diminuição do número de receptores colinérgicos.
  3. C) Aumento da sensibilidade dos receptores adrenérgicos.
  4. D) Aumento da sensibilidade dos receptores serotoninérgicos.

Pérola Clínica

Idosos + medicamentos anticolinérgicos → maior risco de síndrome anticolinérgica devido à ↓ receptores colinérgicos.

Resumo-Chave

Idosos são mais suscetíveis à síndrome anticolinérgica devido à diminuição fisiológica do número de receptores colinérgicos no cérebro e outros tecidos, além de uma menor capacidade de metabolizar e excretar fármacos. A combinação de amitriptilina e tramadol, ambos com propriedades anticolinérgicas, precipitou os sintomas na paciente.

Contexto Educacional

A farmacologia geriátrica é uma área de extrema importância na prática médica, dada a complexidade das alterações fisiológicas que ocorrem com o envelhecimento e a polifarmácia comum nessa população. Idosos são particularmente suscetíveis a efeitos adversos de medicamentos, e a síndrome anticolinérgica é uma das condições mais frequentemente encontradas, com potencial para causar morbidade significativa. A fisiologia do envelhecimento contribui para essa vulnerabilidade de várias maneiras. Há uma diminuição fisiológica do número e da sensibilidade dos receptores colinérgicos no sistema nervoso central e periférico. Além disso, ocorrem alterações na farmacocinética, como redução da função renal e hepática, que podem levar ao acúmulo de fármacos e prolongar sua meia-vida. A barreira hematoencefálica também pode ser mais permeável, permitindo maior acesso de substâncias ao cérebro. No caso clínico apresentado, a paciente idosa já utilizava amitriptilina, um antidepressivo tricíclico com potente efeito anticolinérgico. A adição de tramadol, que também possui alguma atividade anticolinérgica e serotoninérgica, aumentou a carga anticolinérgica total, precipitando os sintomas clássicos de visão turva, boca seca, taquicardia e estado confusional. Para residentes, é fundamental estar atento à lista de medicamentos com potencial anticolinérgico e considerar a idade do paciente ao prescrever, buscando alternativas com menor risco ou ajustando doses para prevenir eventos adversos graves como o delírio anticolinérgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da síndrome anticolinérgica?

Os sintomas incluem boca seca, visão turva, taquicardia, retenção urinária, constipação, rubor facial, hipertermia e, em casos mais graves, confusão mental, delírio e alucinações.

Por que idosos são mais vulneráveis à síndrome anticolinérgica?

Idosos apresentam uma diminuição fisiológica do número de receptores colinérgicos no cérebro, além de alterações na farmacocinética (absorção, distribuição, metabolismo e excreção) que aumentam a concentração e a sensibilidade aos efeitos dos fármacos anticolinérgicos.

Quais medicamentos comuns podem causar síndrome anticolinérgica em idosos?

Antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina), antipsicóticos de primeira geração, anti-histamínicos de primeira geração (como difenidramina), relaxantes musculares, alguns antiespasmódicos e certos opioides (como tramadol) são exemplos de fármacos com potencial anticolinérgico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo