Intoxicação Anticolinérgica: Reconheça a Toxíndrome

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Jovem, 21 anos, é admitida no pronto atendimento com suspeita de intoxicação exógena por droga anticolinérgica. Acompanhantes que a trouxeram referem que estavam em uma balada tomando chá alucinógeno.Assinale a alternativa que apresenta o quadro clínico mais compatível.

Alternativas

  1. A) Miose, hipotensão, bradicardia, hipertermia, palidez cutânea e hipersecreção.
  2. B) Miose, hipertensão, taquicardia, hipertermia, hiperemia cutânea e hipersecreção.
  3. C) Midríase, hipotensão, bradicardia, hipotermia, palidez cutânea e mucosas secas.
  4. D) Midríase, hipertensão, taquicardia, hipertermia, hiperemia cutânea e mucosas secas
  5. E) Midríase, hipertensão, bradicardia, hipotermia, hiperemia cutânea e hipersecreção

Pérola Clínica

Intoxicação anticolinérgica → "Quente como deserto, seco como osso, vermelho como beterraba, cego como morcego, louco como um chapeleiro".

Resumo-Chave

A intoxicação por drogas anticolinérgicas resulta do bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina, levando a uma síndrome caracterizada por midríase (visão turva), pele seca e avermelhada (hiperemia), hipertermia, taquicardia, hipertensão e alterações do estado mental (agitação, delírio, alucinações). A frase mnemônica "quente, seco, vermelho, cego, louco" resume bem o quadro.

Contexto Educacional

A intoxicação por drogas anticolinérgicas é uma toxíndrome comum em pronto-atendimentos, frequentemente associada ao uso recreativo de plantas (como Datura stramonium) ou superdosagem de medicamentos (anti-histamínicos, antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos). É crucial para o médico emergencista reconhecer rapidamente essa síndrome devido ao seu potencial de gravidade e à disponibilidade de tratamento específico. A fisiopatologia da síndrome anticolinérgica decorre do bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina, tanto no sistema nervoso central quanto no periférico. Isso leva a uma série de manifestações clínicas que podem ser memorizadas pela mnemônica "quente como deserto, seco como osso, vermelho como beterraba, cego como morcego, louco como um chapeleiro". Os sintomas incluem midríase (pupilas dilatadas), pele seca e avermelhada (hiperemia), hipertermia, taquicardia, hipertensão, retenção urinária, íleo paralítico e alterações do estado mental, como agitação, delírio e alucinações. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. O tratamento é inicialmente de suporte, com controle da hipertermia (resfriamento externo), hidratação e sedação se necessário. A fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, é o antídoto específico que pode reverter os efeitos anticolinérgicos, mas seu uso deve ser criterioso devido ao risco de bradicardia e convulsões. É fundamental diferenciar a toxíndrome anticolinérgica de outras síndromes, como a simpaticomimética, que apresenta sudorese e pele úmida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome anticolinérgica?

Os principais sinais incluem midríase, pele seca e avermelhada, hipertermia, taquicardia, hipertensão, retenção urinária, íleo paralítico e alterações do estado mental como agitação, delírio e alucinações.

Como a intoxicação anticolinérgica afeta o sistema nervoso central?

No sistema nervoso central, a intoxicação anticolinérgica causa agitação, confusão mental, delírio, alucinações e, em casos graves, convulsões e coma, devido ao bloqueio dos receptores muscarínicos cerebrais.

Qual o tratamento específico para a intoxicação anticolinérgica?

O tratamento inclui medidas de suporte, como controle da hipertermia e hidratação. O antídoto específico é a fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, que pode reverter os efeitos centrais e periféricos, mas deve ser usada com cautela devido a potenciais efeitos adversos cardíacos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo