Síndrome Anticolinérgica: Reconhecimento e Manejo da Intoxicação

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 23 anos de idade foi encaminhada para a UTI, após tentativa de suicídio, com quadro de agitação, delirium, em midríase, hipertérmica, taquicárdica, hipertensa, pele seca, quente e avermelhada. As mucosas estão secas. A causa mais provável pela sintomatologia de intoxicação exógena da paciente, dentre as substâncias abaixo, é

Alternativas

  1. A) tramadol.
  2. B) diazepam.
  3. C) aldicarb (”chumbinho”).
  4. D) imipramina.

Pérola Clínica

Agitação, delirium, midríase, taquicardia, hipertensão, pele seca e quente → Síndrome Anticolinérgica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de agitação, delirium, midríase, hipertensão, taquicardia, pele seca e quente, e mucosas secas é altamente sugestivo de síndrome anticolinérgica. Antidepressivos tricíclicos, como a imipramina, são agentes comuns que causam essa síndrome devido ao seu potente efeito antimuscarínico.

Contexto Educacional

A intoxicação exógena é uma emergência médica frequente, e a identificação rápida da síndrome toxicológica envolvida é crucial para o manejo adequado. A síndrome anticolinérgica é uma das mais importantes, caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas resultantes do bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina. Os sinais clássicos incluem agitação, delirium, midríase, hipertensão, taquicardia, hipertermia, pele seca e quente, e mucosas secas. Esses sintomas são frequentemente descritos como "quente como lebre, cego como morcego, seco como osso, vermelho como beterraba e louco como um chapeleiro". Antidepressivos tricíclicos (ADTs), como a imipramina, são causas comuns dessa síndrome devido aos seus potentes efeitos antimuscarínicos. Para residentes, é vital diferenciar a síndrome anticolinérgica de outras síndromes toxicológicas, como a simpaticomimética, que pode apresentar taquicardia e hipertensão, mas com pele úmida e diaforética. O tratamento é primariamente de suporte, mas a fisostigmina pode ser considerada em casos graves com delirium e agitação refratários, sempre com cautela devido aos seus potenciais efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome anticolinérgica?

A síndrome anticolinérgica clássica se manifesta com "cegueira" (midríase, visão turva), "loucura" (delirium, agitação, alucinações), "secura" (pele e mucosas secas), "vermelhidão" (pele quente e avermelhada) e "febre" (hipertermia). Também são comuns taquicardia, hipertensão e retenção urinária.

Quais classes de medicamentos podem causar a síndrome anticolinérgica?

Diversas classes de medicamentos podem causar a síndrome anticolinérgica, incluindo antidepressivos tricíclicos (ADT), anti-histamínicos de primeira geração, antipsicóticos, antiparkinsonianos, relaxantes musculares e algumas plantas como a Datura stramonium.

Qual o tratamento específico para a intoxicação por antidepressivos tricíclicos com síndrome anticolinérgica grave?

Além do suporte vital, o tratamento específico para a síndrome anticolinérgica grave, especialmente com delirium e agitação, pode incluir a administração de fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase que atravessa a barreira hematoencefálica, revertendo os efeitos centrais e periféricos.

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