Intoxicação por Loratadina em Crianças: Síndrome Anticolinérgica

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 2,5 anos, sexo masculino, foi levada ao pronto-socorro com suspeita de ter ingerido uma caixa de medicamentos. Pais referem que a criança estava brincando com caixas de remédios, com diversos comprimidos no chão e outros na boca. Ao exame físico, o paciente apresenta-se agitado, face avermelhada, com temperatura de 37,8 °C, taquicárdica, pressão arterial de 110 × 80 mmHg, midriática, com boca e olhos secos e FR: 42 ipm. Dentre os seguintes medicamentos, o que mais provavelmente corresponde ao quadro da criança é

Alternativas

  1. A) Amiodarona 200 mg.
  2. B) Sertralina 50 mg.
  3. C) Diazepam 10 mg.
  4. D) Levotiroxina 50 mg.
  5. E) Loratadina 10 mg.

Pérola Clínica

Criança + agitação + midríase + boca seca + taquicardia + febre = Síndrome Anticolinérgica (Loratadina).

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito (agitação, taquicardia, midríase, boca e olhos secos, face avermelhada, febre) é clássico da síndrome anticolinérgica, que pode ser causada por superdosagem de anti-histamínicos como a loratadina.

Contexto Educacional

A intoxicação medicamentosa em crianças é uma emergência comum em pronto-socorros pediátricos, exigindo reconhecimento rápido das toxíndromes. A ingestão acidental de medicamentos é uma das principais causas de envenenamento na infância, e a apresentação clínica pode variar amplamente dependendo da substância e da dose. O quadro clínico descrito na questão, com agitação, face avermelhada, taquicardia, midríase, boca e olhos secos e hipertermia leve, é altamente sugestivo da síndrome anticolinérgica. Esta síndrome é causada pelo bloqueio dos receptores muscarínicos de acetilcolina. Dentre as opções, a loratadina, um anti-histamínico de segunda geração, pode causar sintomas anticolinérgicos em superdosagem, especialmente em crianças. O manejo da intoxicação por loratadina e outras substâncias anticolinérgicas é primariamente de suporte, visando à estabilização hemodinâmica, controle da temperatura e hidratação. Em casos de agitação grave, benzodiazepínicos podem ser utilizados. A fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, pode ser considerada em casos de toxicidade grave e refratária, mas deve ser usada com cautela devido aos seus potenciais efeitos adversos. É crucial a identificação do agente tóxico e a monitorização contínua do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome anticolinérgica em crianças?

Os principais sinais incluem agitação, taquicardia, midríase, pele seca e avermelhada, boca e olhos secos, retenção urinária e hipertermia. Pode haver também alucinações e delírio.

Qual o tratamento inicial para a intoxicação por loratadina?

O tratamento é de suporte, incluindo medidas para controle da hipertermia, hidratação e, se necessário, sedação para agitação grave. Em casos selecionados e graves, pode-se considerar a fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase.

Como diferenciar a síndrome anticolinérgica de outras toxíndromes em pediatria?

A síndrome anticolinérgica se destaca pela tríade de 'quente, seco e vermelho' (hipertermia, pele seca, face avermelhada), associada a midríase e agitação. Diferencia-se da simpaticomimética pela ausência de sudorese e da sedativa pela agitação em vez de depressão do SNC.

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