Síndrome Anticolinérgica: Diagnóstico e Uso da Fisostigmina

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma jovem de 19 anos é levada à unidade de emergência por familiares após ser encontrada em seu quarto com comportamento errático, agitação psicomotora intensa e relatos de alucinações visuais com 'insetos nas paredes'. Ao exame físico inicial, apresenta temperatura axilar de 38,9 °C, frequência cardíaca de 138 bpm, pressão arterial de 155/92 mmHg e saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. A paciente apresenta pele seca e quente ao toque, mucosas desidratadas, ausência de ruídos hidroaéreos à ausculta abdominal e um globo vesical palpável. As pupilas estão midriáticas (8 mm) e com reatividade mínima à luz. A face da paciente apresenta o aspecto visual clássico ilustrado na imagem abaixo. O eletrocardiograma revela taquicardia sinusal, com intervalo PR de 150 ms e complexo QRS de 85 ms. Diante do diagnóstico de síndrome anticolinérgica grave com manifestações centrais, qual é a terapia farmacológica específica indicada para a reversão dos sintomas neurológicos?

Alternativas

  1. A) Fisostigmina
  2. B) Neostigmina
  3. C) Pilocarpina
  4. D) Brometo de Ipratrópio

Pérola Clínica

Pele seca + Midríase + Retenção urinária + Delírio → Síndrome Anticolinérgica (Antídoto: Fisostigmina).

Resumo-Chave

A síndrome anticolinérgica resulta do bloqueio competitivo da acetilcolina nos receptores muscarínicos. A fisostigmina é o único carbamato que atravessa a barreira hematoencefálica, revertendo sintomas centrais.

Contexto Educacional

A síndrome anticolinérgica é uma emergência toxicológica clássica caracterizada pelo mnemônico 'quente como um deserto, cego como um morcego, seco como um osso, vermelho como uma beterraba e louco como um chapeleiro'. Ela ocorre pela ingestão de plantas (como a Datura stramonium), anti-histamínicos, antiespasmódicos ou antidepressivos. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de instabilidade autonômica, alterações visuais e disfunção do sistema nervoso central. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e controle da agitação com benzodiazepínicos. A fisostigmina reserva-se para casos graves com comprometimento neurológico, devendo ser administrada lentamente (0,5 a 2 mg IV em adultos). É fundamental diferenciar esta síndrome de outras causas de delírio e hipertermia, garantindo que o paciente não possua contraindicações eletrocardiográficas antes da reversão farmacológica específica.

Perguntas Frequentes

Quando a fisostigmina é estritamente indicada na síndrome anticolinérgica?

A fisostigmina é indicada em casos de toxicidade anticolinérgica grave que apresentam manifestações centrais significativas, como agitação psicomotora extrema, delírio, convulsões ou coma, que não respondem a medidas de suporte iniciais como benzodiazepínicos. Ela atua inibindo a acetilcolinesterase, aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica para competir com o agente tóxico. Por atravessar a barreira hematoencefálica, é eficaz na reversão do 'delirium' anticolinérgico, ao contrário da neostigmina ou piridostigmina.

Quais são as principais contraindicações ao uso da fisostigmina?

As principais contraindicações incluem a suspeita de intoxicação por antidepressivos tricíclicos (devido ao risco de cardiotoxicidade e convulsões), distúrbios de condução cardíaca (como prolongamento do intervalo QRS ou PR), obstrução mecânica do trato gastrointestinal ou geniturinário, e asma brônquica. O monitoramento eletrocardiográfico contínuo é obrigatório durante sua administração, e a atropina deve estar disponível à beira do leito para reverter uma possível crise colinérgica iatrogênica.

Como diferenciar a síndrome anticolinérgica da simpaticomimética?

Embora ambas apresentem taquicardia, hipertensão e midríase, a diferenciação crucial reside na avaliação da pele e das mucosas. Na síndrome anticolinérgica, a pele está seca e quente (anidrose) e os ruídos hidroaéreos estão diminuídos ou ausentes. Já na síndrome simpaticomimética (ex: cocaína, anfetaminas), o paciente apresenta sudorese profusa (diaforese) e ruídos hidroaéreos geralmente preservados ou aumentados. A retenção urinária também é um achado clássico e quase exclusivo da etiologia anticolinérgica.

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