SARA: Ventilação Mecânica Protetora e Estratégias

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 66 anos, previamente hígido, foi hospitalizado por tosse produtiva, febre (tax 39°C) e dispneia. Exame físico da admissão: lúcido e orientado, normotenso, com saturação em ar ambiente de 87% e frequência respiratória 26 mpm. Radiografia de tórax com consolidação na base do pulmão esquerdo e lobo médio. Hemograma com leucocitose e desvio à esquerda. RT-PCR para COVID-19 negativa; anti HIV não reagente. Ecocardiograma normal. Coletada hemocultura e iniciado tratamento com ceftriaxone e claritromicina, frente à suspeita de pneumonia comunitária grave. No dia seguinte, seguia febril e apresentando piora da dispneia e hipoxemia, com necessidade de transferência para UTI e de ventilação mecânica. Posteriormente a hemocultura foi positiva para pneumococo multisensível. A radiografia de tórax de controle mostrava progressão das opacidades pulmonares, agora com padrão de infiltrado difuso bilateral. Em relação ao caso, é correto afirmar que o paciente apresenta

Alternativas

  1. A) Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) e deve receber corticoide adjuvante precocemente.
  2. B) SARA e deve manter ventilação mecânica com baixo volume corrente.
  3. C) Insuficiência cardíaca concomitante como causa para o infiltrado pulmonar difuso e deve receber tratamento com diurético.
  4. D) SARA e deve-se modificar a antibioticoterapia para mais amplo espectro.

Pérola Clínica

SARA → Ventilação mecânica protetora com baixo volume corrente (6 mL/kg peso predito).

Resumo-Chave

Pacientes com SARA necessitam de ventilação mecânica com estratégia protetora, utilizando baixo volume corrente (6 mL/kg de peso predito) e PEEP otimizada, para minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador e melhorar a oxigenação.

Contexto Educacional

A Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) é uma forma grave de insuficiência respiratória caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, levando a hipoxemia refratária. É uma complicação comum de diversas condições, como sepse, pneumonia grave, trauma e pancreatite. A SARA apresenta alta mortalidade e é um desafio significativo em unidades de terapia intensiva. A fisiopatologia da SARA envolve uma resposta inflamatória descontrolada que danifica a barreira alvéolo-capilar, resultando em extravasamento de proteínas e fluidos para o espaço alveolar, inativação do surfactante e colapso alveolar. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Berlim, que incluem início agudo, hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300 com PEEP ≥ 5), infiltrados bilaterais na imagem torácica e exclusão de causa cardíaca. O caso clínico descreve um paciente com pneumonia grave, progressão para infiltrado difuso bilateral e hipoxemia, compatível com SARA. O tratamento da SARA é primariamente de suporte, com foco na ventilação mecânica protetora. Esta estratégia visa minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI) e inclui o uso de baixo volume corrente (6 mL/kg de peso predito ideal), pressão de platô < 30 cmH2O e PEEP otimizada para manter os alvéolos abertos. Outras medidas incluem a posição prona e o manejo da volemia. A modificação da antibioticoterapia só seria indicada se houvesse falha terapêutica e evidência de resistência ou outro patógeno, o que não é o foco principal da conduta na SARA já estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para SARA (Critérios de Berlim)?

Os Critérios de Berlim incluem início agudo de hipoxemia, infiltrados bilaterais na radiografia de tórax não explicados por derrame ou atelectasia, e ausência de insuficiência cardíaca ou sobrecarga volêmica como causa principal, com relação PaO2/FiO2 < 300 mmHg com PEEP ≥ 5 cmH2O.

Por que o baixo volume corrente é fundamental na ventilação da SARA?

O baixo volume corrente (6 mL/kg de peso predito) é fundamental para reduzir o estresse e a tensão sobre os alvéolos, prevenindo o barotrauma, volutrauma e biotrauma, que podem agravar a lesão pulmonar na SARA e piorar o prognóstico.

Quais outras estratégias de ventilação são usadas na SARA?

Além do baixo volume corrente e PEEP otimizada, outras estratégias incluem a posição prona para melhorar a oxigenação, manobras de recrutamento alveolar e, em casos refratários, ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea).

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