AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
M.A.C., 68 anos, foi admitida na UTI devido a uma hemorragia digestiva alta grave, secundária a uma úlcera gástrica. Seu quadro inicial evoluiu para choque hipovolêmico, exigindo múltiplas transfusões de concentrado de hemácias, nas 4 horas seguintes ao final da última transfusão, a paciente desenvolveu dispneia progressiva e taquipneia. A ausculta pulmonar revelou estertores finos bilaterais, e a saturação de oxigênio caiu para 88% em ar ambiente. Ao exame físico a pressão arterial permaneceu estável, e não havia sinais de sobrecarga hídrica e nem febre. Os exames complementares mostraram uma relação PaO2/FiO2 (P/F): 110 e radiografia de tórax abaixo: Em relação ao diagnóstico assinale a alternativa correta:
SARA = Início agudo (<7 dias) + Opacidade bilateral + P/F < 300 + Origem não cardiogênica.
A SARA é uma síndrome de insuficiência respiratória hipoxêmica causada por lesão alveolar difusa, sendo pneumonia e sepse as causas mais prevalentes (>80% dos casos).
A Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) é caracterizada por um processo inflamatório intenso que leva ao aumento da permeabilidade da membrana alvéolo-capilar, resultando em edema pulmonar rico em proteínas e colapso alveolar. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Berlim, que exigem início agudo, opacidades bilaterais na imagem de tórax não explicadas por falência cardíaca ou sobrecarga volêmica, e hipoxemia definida pela relação PaO2/FiO2. O manejo clínico foca na ventilação mecânica 'protetora'. Diferente do que sugere uma das alternativas, volumes correntes altos são prejudiciais. Além disso, a restrição hídrica (estratégia conservadora de fluidos) é recomendada após a estabilização do choque, pois reduz o tempo de ventilação mecânica sem aumentar a mortalidade ou lesão renal. A questão destaca a importância epidemiológica: pneumonia e sepse dominam o cenário etiológico da síndrome.
Os pilares incluem o uso de baixo volume corrente (6 mL/kg de peso predito) para evitar volutrauma, manutenção da pressão de platô abaixo de 30 cmH2O para evitar barotrauma e ajuste da PEEP para manter o recrutamento alveolar e evitar o atelectrauma. Essas medidas são as únicas que comprovadamente reduzem a mortalidade na SARA.
Embora existam múltiplas causas, a vasta maioria dos casos (mais de 80%) é decorrente de causas indiretas como sepse (especialmente de foco abdominal ou urinário) e causas diretas como pneumonia (bacteriana ou viral). Outras causas incluem aspiração de conteúdo gástrico e grandes traumas.
A posição prona está indicada para pacientes com SARA moderada a grave, especificamente aqueles com uma relação PaO2/FiO2 < 150 mmHg. O estudo PROSEVA demonstrou que a aplicação precoce e prolongada (pelo menos 16 horas por dia) da posição prona reduz significativamente a mortalidade nesses pacientes.
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