Manejo Ventilatório na SARA: O Papel da PEEP Adequada

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 50 anos, admitido na UTI com Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA) após uma pneumonia grave, apresenta hipoxemia refratária e requer suporte ventilatório. Durante o manejo, qual das seguintes intervenções é considerada a mais apropriada para melhorar a oxigenação e minimizar os danos pulmonares?

Alternativas

  1. A) Ventilação mecânica com volumes correntes altos para garantir a ventilação.
  2. B) Utilização de oxigenoterapia de alto fluxo sem suporte ventilatório.
  3. C) Ventilação mecânica com pressão positiva expiratória final (PEEP) adequada.
  4. D) Administração de corticosteroides em doses altas.
  5. E) Ventilação não invasiva como primeira linha de tratamento.

Pérola Clínica

SARA → Ventilação protetora (VC 6mL/kg) + PEEP adequada para evitar atelectrauma.

Resumo-Chave

Na SARA, a PEEP adequada é essencial para recrutar alvéolos colapsados, melhorar a relação V/Q e prevenir a lesão pulmonar induzida pelo ventilador.

Contexto Educacional

A Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA) é uma forma de edema pulmonar não cardiogênico causada por aumento da permeabilidade da barreira alvéolo-capilar devido a insultos inflamatórios locais (ex: pneumonia) ou sistêmicos (ex: sepse). A fisiopatologia é marcada por exsudato rico em proteínas nos alvéolos, inativação do surfactante e colapso alveolar difuso. A estratégia ventilatória 'Open Lung' preconiza o recrutamento de unidades alveolares e a manutenção destas abertas através de uma PEEP titulada. Além da PEEP e do baixo volume corrente, em casos de hipoxemia grave (relação PaO2/FiO2 < 150), intervenções adicionais como a posição prona e o uso de bloqueadores neuromusculares podem ser indicadas para melhorar a sobrevida e reduzir a lesão induzida pelo ventilador (VILI).

Perguntas Frequentes

Por que a ventilação com baixo volume corrente é mandatória na SARA?

A ventilação protetora utiliza volumes correntes baixos (geralmente 6 mL/kg de peso ideal) para evitar o volutrauma e o barotrauma. Na SARA, o pulmão funcional é reduzido (conceito de 'baby lung'), e volumes normais podem causar sobredistensão alveolar e liberação de mediadores inflamatórios (biotrauma), aumentando a mortalidade.

Como a PEEP auxilia no tratamento da hipoxemia na SARA?

A PEEP (Pressão Positiva Expiratória Final) mantém os alvéolos abertos durante a expiração, prevenindo o colapso cíclico (atelectrauma). Isso aumenta a área de superfície disponível para troca gasosa, reduz o shunt intrapulmonar e melhora a complacência pulmonar, permitindo o uso de frações inspiradas de oxigênio (FiO2) menos tóxicas.

Quais são os objetivos gasométricos na ventilação da SARA?

O foco principal não é a normalização da gasometria, mas sim a proteção pulmonar. Aceita-se a 'hipercapnia permissiva' (pH > 7.20) para manter volumes baixos e pressões de platô seguras (< 30 cmH2O). O objetivo de oxigenação geralmente é manter uma PaO2 entre 55-80 mmHg ou SpO2 entre 88-95%.

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