SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Um paciente de 50 anos, admitido na UTI com Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA) após uma pneumonia grave, apresenta hipoxemia refratária e requer suporte ventilatório. Durante o manejo, qual das seguintes intervenções é considerada a mais apropriada para melhorar a oxigenação e minimizar os danos pulmonares?
SARA → Ventilação protetora (VC 6mL/kg) + PEEP adequada para evitar atelectrauma.
Na SARA, a PEEP adequada é essencial para recrutar alvéolos colapsados, melhorar a relação V/Q e prevenir a lesão pulmonar induzida pelo ventilador.
A Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA) é uma forma de edema pulmonar não cardiogênico causada por aumento da permeabilidade da barreira alvéolo-capilar devido a insultos inflamatórios locais (ex: pneumonia) ou sistêmicos (ex: sepse). A fisiopatologia é marcada por exsudato rico em proteínas nos alvéolos, inativação do surfactante e colapso alveolar difuso. A estratégia ventilatória 'Open Lung' preconiza o recrutamento de unidades alveolares e a manutenção destas abertas através de uma PEEP titulada. Além da PEEP e do baixo volume corrente, em casos de hipoxemia grave (relação PaO2/FiO2 < 150), intervenções adicionais como a posição prona e o uso de bloqueadores neuromusculares podem ser indicadas para melhorar a sobrevida e reduzir a lesão induzida pelo ventilador (VILI).
A ventilação protetora utiliza volumes correntes baixos (geralmente 6 mL/kg de peso ideal) para evitar o volutrauma e o barotrauma. Na SARA, o pulmão funcional é reduzido (conceito de 'baby lung'), e volumes normais podem causar sobredistensão alveolar e liberação de mediadores inflamatórios (biotrauma), aumentando a mortalidade.
A PEEP (Pressão Positiva Expiratória Final) mantém os alvéolos abertos durante a expiração, prevenindo o colapso cíclico (atelectrauma). Isso aumenta a área de superfície disponível para troca gasosa, reduz o shunt intrapulmonar e melhora a complacência pulmonar, permitindo o uso de frações inspiradas de oxigênio (FiO2) menos tóxicas.
O foco principal não é a normalização da gasometria, mas sim a proteção pulmonar. Aceita-se a 'hipercapnia permissiva' (pH > 7.20) para manter volumes baixos e pressões de platô seguras (< 30 cmH2O). O objetivo de oxigenação geralmente é manter uma PaO2 entre 55-80 mmHg ou SpO2 entre 88-95%.
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