TAPS em Gestação Dupla: Diagnóstico por Doppler da ACM

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Na síndrome anemia-policitemia em gestação dupla, o método propedêutico a ser usado para estudo fetal é

Alternativas

  1. A) a diferença de peso entre os fetos acima de 20%.
  2. B) a presença de polihidrâmnio em 1 feto e oligoâmnio no outro.
  3. C) o estudo dopplervelocimétrico da artéria cerebral média de ambos os fetos.
  4. D) a restrição de crescimento secundária de um dos fetos.
  5. E) a presença de desacelerações variáveis à cardiotocografia em um dos fetos.

Pérola Clínica

TAPS = Diferença PSV-MCA entre fetos. Anemia fetal ↑ PSV-MCA, Policitemia fetal ↓ PSV-MCA.

Resumo-Chave

A Síndrome Anemia-Policitemia em gestação dupla (TAPS) é diagnosticada pelo estudo dopplervelocimétrico da artéria cerebral média (PSV-MCA) de ambos os fetos. O feto anêmico apresentará um aumento na PSV-MCA, enquanto o feto policitêmico terá uma diminuição, refletindo as alterações na viscosidade sanguínea e no fluxo cerebral.

Contexto Educacional

A Síndrome Anemia-Policitemia (TAPS) é uma complicação grave e específica de gestações gemelares monocoriônicas, ou seja, aquelas que compartilham a mesma placenta. Diferentemente da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), onde as diferenças de volume de líquido amniótico são proeminentes, a TAPS se manifesta principalmente por um desequilíbrio hematológico entre os fetos, com um feto desenvolvendo anemia e o outro policitemia, devido a anastomoses placentárias de pequeno calibre. O diagnóstico da TAPS é fundamentalmente realizado através da dopplervelocimetria da artéria cerebral média (ACM) de ambos os fetos. A velocidade sistólica máxima (PSV-MCA) é um marcador sensível para anemia fetal, pois a diminuição da viscosidade sanguínea em fetos anêmicos leva a um aumento do fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, da PSV-MCA. Inversamente, o feto policitêmico terá uma PSV-MCA diminuída devido ao aumento da viscosidade sanguínea. A diferença entre as PSV-MCA dos fetos é o critério diagnóstico principal. O reconhecimento precoce da TAPS é crucial para o manejo adequado, que pode incluir transfusão intrauterina para o feto anêmico ou, em casos mais graves, fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias. Para residentes, é vital compreender as particularidades das gestações gemelares monocoriônicas e as ferramentas diagnósticas específicas para suas complicações, como a TAPS, a fim de garantir a melhor assistência pré-natal e resultados perinatais.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome Anemia-Policitemia (TAPS) em gestações duplas?

A TAPS é uma complicação de gestações gemelares monocoriônicas, onde há anastomoses placentárias desequilibradas que resultam em uma transfusão crônica lenta de sangue de um feto para o outro, levando a anemia em um (doador) e policitemia no outro (receptor), sem as diferenças de líquido amniótico típicas da STFF.

Como o Doppler da artéria cerebral média auxilia no diagnóstico da TAPS?

O Doppler da artéria cerebral média (PSV-MCA) é o principal método para diagnosticar TAPS. A velocidade sistólica máxima da ACM aumenta na anemia fetal devido à diminuição da viscosidade sanguínea e vasodilatação cerebral, e diminui na policitemia fetal devido ao aumento da viscosidade e vasoconstrição.

Qual a diferença entre TAPS e Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF)?

Ambas são complicações de gestações monocoriônicas. A STFF é caracterizada por grandes diferenças de volume de líquido amniótico (polidrâmnio no receptor e oligoâmnio no doador) e diferenças de peso. A TAPS, por outro lado, é primariamente uma alteração hematológica (anemia e policitemia) com diferenças mínimas ou ausentes de líquido amniótico e peso, sendo diagnosticada pelo Doppler da ACM.

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