Síndrome de Alport: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Criança, sexo masculino, 7 anos de idade, apresenta hematúria macroscópica. Exames laboratoriais mostram proteinúria leve e função renal normal. O histórico familiar revela que o pai também teve hematúria e evoluiu com perda de função renal. Qual é o diagnóstico provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica.
  2. B) Nefropatia por IgA.
  3. C) Síndrome de Alport.
  4. D) Pielonefrite aguda.

Pérola Clínica

Hematúria familiar + perda função renal + proteinúria leve → Suspeitar de Síndrome de Alport.

Resumo-Chave

A Síndrome de Alport é uma nefropatia hereditária caracterizada por hematúria, proteinúria e perda progressiva da função renal, frequentemente associada a história familiar de doença renal. É causada por mutações nos genes que codificam o colágeno tipo IV, essencial para a membrana basal glomerular.

Contexto Educacional

A Síndrome de Alport é uma doença renal hereditária progressiva, caracterizada por hematúria, proteinúria e perda gradual da função renal, frequentemente evoluindo para doença renal terminal. É uma condição de grande importância na nefrologia pediátrica e adulta, pois representa uma causa significativa de doença renal crônica genética. A história familiar de doença renal, especialmente com perda de função, é um pilar diagnóstico crucial. A fisiopatologia da Síndrome de Alport reside em mutações nos genes que codificam as cadeias alfa do colágeno tipo IV (COL4A3, COL4A4, COL4A5). Este colágeno é um componente essencial da membrana basal glomerular (MBG), da cóclea e do olho. A alteração na estrutura do colágeno tipo IV leva a uma MBG anormalmente fina e frágil, resultando em hematúria e, posteriormente, proteinúria e esclerose glomerular. A suspeita deve ser alta em crianças com hematúria persistente e história familiar de doença renal. O diagnóstico é baseado na história clínica, achados laboratoriais (hematúria, proteinúria), história familiar e, idealmente, biópsia renal (com imunofluorescência para colágeno tipo IV) ou teste genético. Não há tratamento curativo, mas o manejo foca em retardar a progressão da doença renal com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA). O prognóstico varia com o tipo genético, mas muitos pacientes evoluem para doença renal terminal, necessitando de diálise ou transplante.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Síndrome de Alport?

As principais manifestações incluem hematúria (micro ou macroscópica), proteinúria, perda progressiva da função renal, e frequentemente, alterações auditivas (surdez neurossensorial) e oculares (lenticone anterior).

Qual a base genética da Síndrome de Alport?

A Síndrome de Alport é causada por mutações nos genes que codificam as cadeias alfa do colágeno tipo IV (COL4A3, COL4A4, COL4A5), que é um componente crucial da membrana basal glomerular, cóclea e olho.

Como diferenciar Síndrome de Alport de Nefropatia por IgA?

A Síndrome de Alport geralmente apresenta história familiar de doença renal e perda auditiva/ocular, além de progressão para doença renal terminal. A Nefropatia por IgA, embora também cause hematúria, raramente tem padrão familiar tão claro e não está associada a alterações extra-renais típicas de Alport.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo